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Tema: Cardápio infantil – Alimentação saudável também é coisa de criança

Organizador: Movimento TJCC

 

A má alimentação infantil pode gerar obesidade, além de outros fatores de risco para o câncer. O consumo de alimentos inadequados pode ser influenciado pela publicidade destinada às crianças, que, muitas vezes, influencia a tomada de decisão de compra. Sendo que, no Brasil, há diversas barreiras e desafios para garantir uma dieta adequada para os jovens a fim de prevenir diversos tipos de neoplasias malignas. 

A moderadora Bianca Manzoli, nutricionista oncológica e Coordenadora do comitê de nutrição da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, abriu as palestras alertando que “são muitos os desafios para uma boa alimentação infantil, bem como a regulamentação para a propaganda para crianças. Estimular uma alimentação saudável não é uma responsabilidade somente das famílias, mas também da sociedade como um todo. ”

Virgínia Resende Silva Weffort, médica pediatra nutróloga e mestre e doutora em Pediatria, falou sobre a relação entre a alimentação infantil e a obesidade e outros fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.

“O estômago da criança é pequeno e não precisa forçar um aumento. Devemos evitar alimentos processados e ultraprocessados, excesso de açúcar a sal e fast food. (…) É importante que a criança coma de tudo, com alimentação equilibrada, evitando deixar que ela coma mais um grupo de alimentos que outros e a realização de atividades físicas para evitar o sedentarismo – especialmente com as telas, antes dos dois anos de idade o ideal é 0 tempo de tela”, alertou. 

Ela também passou outras orientações sobre quantidade de certos alimentos e temperos de acordo com a idade da criança.

Elisa Mendonça, nutricionista especialista em Saúde Pública e mestre em alimentação, nutrição e saúde, falou sobre as perspectivas da atuação da obesidade infantil por meio do trabalho do Instituto Desiderata. 

“A obesidade no Brasil afeta uma a cada três crianças e essas crianças têm cinco vezes mais chances de continuar com esse quadro quando adultos. A nossa atuação é muito focada na proteção dos ambientes e garantir que eles possam promover a saúde e evitar a obesidade (…) por meio da promoção de saúde nas escolas, promoção de atividade física nas escolas, medidas fiscais e outros. ”

Maria Góes de Mello, Coordenadora de Programas no Instituto Alana, responsável pela iniciativa “Criança e Consumo”, abordou a publicidade infantil de produtos alimentícios e a saúde das crianças e adolescentes. Ela descreveu que, geralmente, essas comunicações têm como principais características a linguagem infantil, excesso de cores, presença de crianças e desenhos. 

Maria Góes também afirmou que as crianças devem ser protegidas das publicidades, pois bastam 30 segundos para que uma marca de alimentos consiga influenciar as crianças, sendo que 70% dos pais gastam mais no mercado quando levam as crianças para fazer compras.

Ela elencou quais pontos essas propagandas deveriam estar baseadas, sendo os principais: “1º, as crianças não são mini adultos, são pessoas em estágio peculiar do seu desenvolvimento; 2º ninguém nasce consumista e 3º é importante diferenciar a comunicação infantil para outro tipo de comunicação. ”. Ter essa diferenciação seria uma forma de proteger as crianças, evitar a obesidade e prevenir o câncer e outras doenças crônicas.

Tema: Diagnóstico precoce  do câncer de mama no Brasil:  desafios e oportunidades

Organizador: Femama

 

Durante a pandemia, a gente constata pelas estatísticas que mais de 1 milhão de mulheres deixaram de fazer os exames de rotina. A expectativa era de 66 mil novos casos de câncer de mama, então a gente precisa trabalhar com esses números. Nós não tivemos o mesmo número de diagnóstico de câncer, então onde essas mulheres estão? ”, Maira Caleffi, mastologista, chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento, Presidente Voluntária FEMAMA e IMAMA e líder do Comitê Executivo do City Cancer Challenge Porto Alegre, questionou.

Maira também expôs que o governo recebeu 150 milhões de reais para aumentar em 30% a realização de exames para diagnóstico de câncer de mama e colo de útero – dinheiro que deveria ter sido utilizado para a COVID-19, mas não foi. Mesmo assim, o Ministério da Saúde não conseguiu estimular esse aumento.

“A Femama elegeu a realização de exames preventivos como uma de suas prioridades e essa história entrou na nossa vida como uma missão. Nós temos que fazer um chamamento para as mulheres fazerem os exames, pressionar e ajudar os gestores a construírem os planos de ação, porque dinheiro tem, e existe uma falta de transparência para/com o terceiro setor em relação ao plano de ação”, alertou.

Em seguida, Maria Helena Mendonça, médica radiologista, especialista em métodos por imagem para estudo mamário, detalhou os mitos, verdades, oportunidades e desafios da mamografia.

Os principais pontos que a radiologista esclareceu foram sobre a densidade da mama atrapalhar na obtenção da imagem; dor relacionada ao exame; necessidade de controle de qualidade e auditoria dos resultados; reconvocação para complementar o exame; por quanto tempo guardar as mamografias; rastreamento após os 40 anos; entrega imediata do laudo e indicação da mamografia para a população transexual.

“A mamografia pode ser o único método a revelar um tumor não palpável e que pode representar um tumor de mama invasivo ou não invasivo. A mamografia de rastreio salva vidas sim, mas ela não anda sozinha. É preciso ter ela junto à melhora no tratamento, esses são os pontos que vão salvar vidas”, ressaltou.

 Luiz Henrique Gebrim, mastologista e diretor do Centro de Referência da Saúde da Mulher, discursou sobre a barreira financeira que existe e faz com que os pacientes de consultório e de hospitais públicos tenham tratamentos e atendimentos tão diferentes. 

“É importante que os gestores entendam que uma mulher que detecta em si própria um nódulo de 2 cm, tem 87% de chance de cura e a uma mulher que descobre em um laboratório do convênio têm 90%. A gente vê na prática que muitas vezes a mulher vai no posto de saúde, não é examinada, pedem uma série de exames, que não são prioridade, e acaba havendo uma dúvida de diagnóstico”, ele disse.

Como uma potencial solução, o Dr. Gebrim apontou os centros integrados, que permitiriam um atendimento mais ágil, e exemplificou relatando como funciona no local em que ele trabalha. 

 “No centro integrado, a mulher faz a consulta e todos os exames, com todo aparato necessário, para que ela descubra, naquele dia, se ela está ou não com câncer. Com isso, nós vimos uma redução do número de casos avançados de 40% para 30%. Isso aconteceu somente com a integração, aumentamos o número de casos iniciais e isso significa que nós salvamos vidas sem gastar dinheiro, acelerando o passo e não tendo fila de espera. ”

Aprofundando na questão trazida pela Drª. Maria Helena, sobre a  necessidade de controle de qualidade e auditoria dos resultados, João Emílio Peixoto, Físico-médico na área de Radiologia, Proteção Radiológica e Dosimetria das Radiações Ionizantes e doutor em Ciências, falou a respeito da qualidade do exame de mamografia no Brasil.

“Hoje, nós temos dois programas de qualidade de mamografia no país. O Programa de Qualidade em Mamografia que uma imagem radiológica de qualidade deve seguir 19 critérios”, contou.

Para demonstrar os critérios avaliados, o Dr. Peixoto exibiu duas radiografias e as comparou de acordo com:

  1. Adequada compressão;
  2. Visibilização completa do parênquima;
  3. Área de fundo da imagem;
  4. Adequada visibilização da pele;
  5. Visibilização das estruturas vasculares;
  6. Tecido glandular adequadamente claro;
  7. Contraste correto entre as regiões;
  8. Ruído na imagem e
  9. Presença de artefatos na imagem

“Chegamos a dois resultados muito importantes: o serviço, passando pelo processo de avaliação da qualidade, ao final ele consegue ter sua qualidade aprovada. Mas, por outro lado, nós temos cerca de 41% dos serviços que não enviaram exames para serem avaliados. Os 104 serviços que tiveram seus exames reprovados e não enviaram o exame para a segunda avaliação continuam funcionando normalmente”, concluiu. 

O painel foi moderado por Rosane Marchetti, jornalista, que alertou: “se os números são importantes, eles são um reflexo do que precisa ser mudado. ”

Tema: Câncer de Mama e  a Violência Contras as Mulheres

Organizador: Instituto Avon

 

Baseado na pesquisa da médica Cristiana Tavares, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) sobre o câncer de mama e a violência doméstica, este painel abordou como essas duas questões estão relacionadas direta e indiretamente. 

A mestre de cerimônia Regina Célia Barbosa, Gerente de Causas do Instituto Avon – Filósofa, mestre em Ciência Política e doutoranda em Direito, Justiça e Cidadania para o Séc. XXI, abriu a conversa trazendo uma mensagem de conscientização e esperança para as mulheres.

“A causa do câncer de mama e a causa da violência contra a mulher estão juntas falando sobre dor, mas também sobre esperança. (…) Nós estamos aqui para dizer para essas mulheres que nós temos estratégias seguras para ajudá-las nessa situação e essa estratégia é a informação”, disse. 

O restante do painel foi conduzido e moderado pela Sabrina Parlatore, apresentadora, cantora, ativista e ex-paciente de câncer de mama.

 “Imaginar uma mulher passando por um tratamento tão difícil como o enfrentamento do câncer e ainda ter que lidar com uma possível ameaça de violência dentro de casa é muito triste e muito difícil”, Sabrina comentou. 

Ela também contou como foi o processo do tratamento do seu câncer e como ter uma rede de apoio foi e estar bem psicologicamente foi essencial nesse momento.

Cristiana Lima Tavares, oncologista clínica  e membro da SBOC, vice-presidente da SBOC NE, apresentou a sua dissertação de doutorado na qual ela estudou a relação entre o câncer de mama e a violência doméstica .

“A dissertação foi fruto de uma observação das minhas pacientes, dos relatos sobre a violência doméstica. Eu escutava e atendia muitas pacientes que falavam sobre o divórcio e violência. (…) O objetivo era entender se a violência era desencadeada pelo câncer, por conta da cirurgia, mudanças na questão hormonal e questões do corpo. Eram esses os pontos que levaram ao divercio, rejeição, violência doméstica e abandono? ”, ela explicou.

Cristina afirmou que se surpreendeu com os resultados da pesquisa. Os principais achados indicaram que 42% das mulheres já eram violentadas antes de descobrir  o câncer de mama; 51% das mulheres violentadas não exerciam função remunerada e dependiam do cônjuge; 84% das violências aconteceram no local onde elas residiam e em 56% dos casos o parceiro violento não mudou suas atitudes após o diagnóstico, ou seja, as agressões continuaram.

“As violências se misturam, então muitas vezes quem sofre violência física, sofre psicológica. Não são violências que vem unicamente, elas são muito plurais. (…) É importante demais o envolvimento de uma equipe multidisciplinar e a gente precisa avaliar uma violência estrutural, porque ela terá mais dificuldade de arranjar emprego por conta do câncer e isso vai reverberar muito”, Cristiana declarou.

Além dessas questões, a oncologista ainda ressaltou que o estresse constante, nesses casos causados pelas agressões, pode fazer com que o tumor se desenvolva de forma mais agressiva, dificultando a  estabilização da doença.

Patricia Dias, paciente de câncer de mama que viveu a violência doméstica, contou como a violência abalou o seu psicológico e sua autoestima, impossibilitando que ela descobrisse seu tumor em estágio inicial, e como, mesmo após o diagnóstico do câncer, a violência continuou.

“Eu passei 20 anos em um relacionamento abusivo, desde os primeiros dias ele dava sinais, mas eu acreditava que não conseguiria algo melhor, então deveria aceitar o que eu estava recebendo. Eu sofri todas as violências mas a principal foi a psicológica e eu acho que ela foi mais traumática que um olho roxo. (…) Eu fiz um exame em 2013 e apareceram algumas alterações, mas deixei ele na gaveta, porque eu não queria viver. Para que eu ia levar em um médico para cuidar se eu não merecia viver, se eu me sentia super culpada? ”

Ela ainda relatou que depois da gravidez da sua filha, ela começou a entender o que estava acontecendo e quis sair da relação. Mas, foi então que o abuso piorou. Anos depois, em 2017, ela reparou que a pele da mama estava com um aspecto anormal e que haviam alguns caroços debaixo do braço que causavam muita dor. Patrícia decidiu resgatar o exame guardado e procurar um médico.

“Quando eu comecei a cuidar da minha saúde, eu entendi que aquela relação não era saudável. Mas ele começou a ameaçar a tirar o plano de saúde, até que, no final de 2017, eu cheguei em uma situação em que ou eu vivia sem ele ou morria, porque com ele, eu não conseguiria sobreviver. (…) Eu não posso dizer que ele causou o meu câncer, mas eu posso dizer que eu adiei muito meu diagnóstico por conta das agressões”, relembrou. 

Juliana Francisco, graduada em Medicina e com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia e em Mastologia, ressaltou a função da equipe médica de acolher a paciente e colocar para ela tudo que ela percorrerá durante o tratamento.

“Qualquer indício que há uma barreira de violência, nós temos que dar ainda mais apoio”, alertou. 

Mariana Luz, psicóloga e consultora, explicou que quando uma mulher está em situação de violência é muito difícil, para ela, se cuidar como ser integral.

“O agressor nos proíbe disso e a gente está tão dentro dessa rede de violência que não conseguimos ter os cuidados mínimos (…) é a rede de apoio que nos ajuda a romper ciclos de violência e nos ajuda a nos cuidar (…) a violência e o medo da doença tiram da gente o projeto de felicidade pessoal”, esclareceu.

Durante o painel, Sabrina Parlatore recordou um momento muito importante na sua vida. 

“Eu passava por muito estresse no meu trabalho aos 26 anos e uma infectologista me disse que a única explicação para a minha herpes-zoster era o estresse e ela me disse ‘Sabrina, você tem que mudar o seu estilo de vida, senão você vai ter um câncer no futuro’ e quando eu descobri meu câncer, eu lembrei disso. ”

Tema: Agentes da mudança: como acelerar o progresso em saúde e controle do câncer e demais DCNTs?

Organizador: ACT

 

O controle do câncer é um importante desafio para a sociedade como um todo. Afinal, mudar hábitos não é algo fácil. E não ter o acesso às informações dificulta, ainda mais, este entendimento. 

Pensar em um trabalho em rede pode ser um caminho, de acordo com Pedro do Carmo Baumgratz de Paula, diretor executivo da Vital Strategies no Brasil.

“Atuação em rede e intersetorialidade como ampliação de voz política

são essenciais. Não conseguimos resolver esses problemas com um campo só.

Existe toda uma noção de rede para uma resposta de saúde pública, por exemplo, como desenhar uma campanha para redes sociais, cálculos econômicos que podem gerar leitos”, disse. 

Em 2020, foram 19 milhões de casos de câncer e quase 10 milhões de mortes no mundo todo, mortes essas que estão principalmente em países de baixa e média renda. 492 mil casos de câncer e 260 mil mortes pela doença aconteceram no Brasil neste mesmo ano, sendo que 54% das mortes passado poderiam ser consideradas prematuras.

“É possível que nós consigamos reduzir os casos e as mortes pela metade se levarmos os dados e conhecimento de prevenção a sério. Os cinco tipos de cânceres mais frequentes conseguimos identificar pelos fatores de riscos conhecidos, como obesidade, inatividade física, consumo de álcool, tabagismo e alimentação não saudável. 15,5% dos casos de câncer são atribuídos ao cigarro,

excesso de peso e obesidade. Mas se levarmos as estratégias de prevenção a sério, é possível reduzir estes dados”, ressaltou Leandro Rezende, professor adjunto do Departamento de Medicina Preventiva da UNIFESP. 

Bruno Helman, presidente e fundador do Instituto Correndo pelo Diabetes, contou sobre sua experiência como paciente. 

“Viver com uma doença crônica, é ter um trabalho 24h por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, sem intervalo para o almoço, sem férias, sem final de semana. É algo cansativo, mas é uma oportunidade que eu tive de rever alguns conceitos e me relacionar de uma forma diferente com a minha própria saúde. A maioria da população que vive com diabetes não tem o mesmo privilégio em termos de acesso, informação, acolhimento e suporte. O primeiro passo para que possamos mudar essa realidade é que nós sejamos colocados no centro do tabuleiro dessa rede. O principal ponto para que a gente promova o engajamento significativo com dcnt’s é que nós mesmos nos apropriemos das nossas condições. É preciso unir forças em torno de uma só voz”, contou. 

E trabalhar as políticas de prevenção é fundamental para que as mudanças comecem a ser vistas. 

“O controle do tabaco avançou, mas ainda há muito para fazer, como a restrição total. Em 2019, foi verificado um pequeno aumento do número de fumantes em relação a 2018, então isso mostra uma necessidade de se avançar em medidas regulatórias e legislativas. Tivemos o aumento de 34% no consumo do cigarro, durante a pandemia. Tributos saudáveis incidem sobre produtos nocivos à saúde, que não são essenciais à vida e à dignidade humana, e visam a prevenção de doenças e promoção da saúde. O que se arrecada com tributos do tabaco, por exemplo, não cobre o que se gasta com o tratamento de doenças relacionadas a ele. O consumo desses produtos nocivos onera o sistema de saúde”, finalizou Adriana Carvalho, diretora jurídica da ACT Promoção da Saúde. 

Tema: O papel do PET/CT na jornada contra o linfoma

Organizador: Siemens Healthineers

 

O diagnóstico precoce dos linfomas é passo fundamental para que o paciente possa apresentar melhores resultados. Além disso, acompanhar a evolução dos protocolos terapêuticos ao longo do tratamento, e até mesmo após, também é muito importante. Afinal, é possível que uma recidiva aconteça. 

O PET/CT é considerado um dos exames de imagem mais modernos da Oncologia. Ele combina duas técnicas: a Tomografia por Emissão de Pósitron e a Tomografia Computadorizada, resultando em imagens detalhadas da anatomia do paciente e as informações da atividade metabólica das células do corpo. 

A imagem tem um papel muito significativo nos linfomas. O PET/CT, até mesmo antes de um diagnóstico estabelecido, pode indicar o melhor lugar para realizar a biópsia. Esse exame deve ser usado tanto na prática clínica quanto em ensaios clínicos. Normalmente, os linfomas agressivos apresentam maior avidez por fdg (97%). Os indolentes são menos, 83%. Passar a apresentar maior avidez pode significar uma alteração fisiológica, por isso é importante fazer uma avaliação do estadiamento, analisando os linfonodos, fígado e baço e a medula óssea, buscando por lesões focais”, explicou Guilherme de Carvalho Campos Neto, médico nuclear do Hospital Israelita Albert Einstein. 

Alterações metabólicas usualmente precedem as alterações estruturais, então o linfonodo pode demorar um tempo para aumentar de tamanho. Mas as alterações metabólicas já permitem levantar uma suspeita de linfoma.

“O PET/CT traz uma maior sensibilidade, o que é muito importante, porque consigo avaliar se o tecido está ativo ao não, do ponto de vista metabólico. Mas as alterações persistem após o tratamento efetivo. Fazemos o exame durante o tratamento e após, para avaliar se o paciente está respondendo adequadamente. Depois de uma resposta completa, após o final do tratamento, o que se tem hoje é que provavelmente não vale a pena seguir com o PET. Apesar de ser um exame muito bom, é muito caro e envolve radiação ionizante. Então, após o final do tratamento bem sucedido, só faremos o exame caso justifique uma suspeita de recidiva”, comentou. 

Entender qual o estadiamento de um linfoma é essencial para que seja feito um planejamento terapêutico. 

“É a incorporação da imagem metabólica frente à morfológica. Isso é importante porque, muitas das vezes, apenas o aspecto morfológico da tomografia não é suficiente para avaliarmos alguma lesão. O exemplo máximo são as lesões ósseas. Muitas vezes não conseguimos captá-las na tomografia e quando vamos para o PET/CT, conseguimos captar. Chamamos de upstaging, ou seja, você consegue ver mais lesões e muitas vezes até mesmo mudar o estadiamento de uma lesão inicial para uma lesão avançada. A dispersão, a distância entre as lesões também têm valor prognóstico. Essa é uma ferramenta muitíssimo importante no estadiamento dos pacientes, na avaliação de resposta. Porém, mais do que isso, ela nos ajuda a tomar a decisão terapêutica, seja para diminuir toxicidade, para intensificar a terapia naqueles pacientes que não estão apresentando uma resposta precoce. Hoje, no cenário do LH, por exemplo, o PET/CT é muito importante em praticamente toda tomada de decisão”, finaliza o Dr. Guilherme Perini, hematologista no Hospital Israelita Albert Einstein.

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