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Que os hábitos saudáveis são essenciais para a melhor qualidade de vida, já não é mais uma novidade para ninguém. Agora, adotar um estilo adequado em meio ao ambiente em que vivemos, com alimentos industrializados por preços menores, propagandas chamativas sobre refrigerantes e bebidas alcoólicas, filmes promovendo o uso de cigarro, é realmente desafiador. 

O HPV, vírus que é o principal causador dos cânceres de colo de útero, vulva, vagina, dentre outros, é uma das questões de saúde que podem ser evitadas, por meio da vacinação. É o que apresentou a Dra. Renata Gontijo, médica da Prefeitura Municipal de Itaperuna.

“Quando uma pessoa toma a vacina contra o HPV, não passará pela lesão para criar anticorpos. Por isso a vacinação é tão importante. A vacina tem partículas semelhantes ao esqueleto viral vazio, que estimulam a produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV. A proteção contra a infecção vai depender da quantidade de anticorpos produzidos pelo indivíduo vacinado”, explicou. 

Esta é uma vacina segura e eficaz e recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, é a tetravalente, e ela serve para meninos de 11 a 14 anos, e meninas de 9 a 14 anos. 

“Quanto mais cedo tomar, melhor para a atividade imune, assim como antes do início das relações sexuais. Até os 14 anos, são feitas 2 doses – até 13 meses de intervalo entre elas. Um estudo feito no novo México com 220 mil mulheres vacinadas entre 13 e 17 anos mostrou que, quando foram examinadas novamente, mais tarde, tiveram uma queda significativa de lesões de NIC 1,2 e 3 (pré-câncer). Atualmente, um estudo que ainda está em publicação aqui no Brasil, avaliou meninas vacinadas e meninas não vacinadas e também já apresentou uma importante eficácia, por conta da queda de infecções pelo vírus da HPV. Mulheres de 15 a 26 anos, também devem se vacinar. Os estudos mostram os bons resultados de saúde. Mas, nesta faixa etária, não é possível tomar via SUS. A mulher que já teve a infecção também pode se vacinar. Estudos apontaram que 60% das mulheres tiveram menos risco de ter recidiva da lesão”, falou a Dra. Renata.  

A vacinação não substitui os exames preventivos, por isso é fundamental fazer os exames de Papanicolau. 

“Queremos que 90% das meninas sejam totalmente vacinadas até os 15 anos. 70% das mulheres examinandas antes dos 35 anos e, novamente, antes dos 45 anos. E 90% das mulheres diagnosticadas com câncer de colo do útero recebendo tratamento”, finaliza a médica.

Dra. Tania Cavalcante, médica do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, falou sobre os prejuízos causados pelo cigarro. 

“Nos últimos 100 anos, o câncer de pulmão passou de uma doença rara, para um problema global. Nos anos 30, uma ação do mercado tornou o tabagismo muito popular nos Estados Unidos. Atores faziam parecer que fumar era algo bacana. Dessa forma, a mortalidade passou a crescer de forma muito evidente desde então. O câncer de pulmão, em mulheres, passou o câncer de mama nos EUA. Isso mostra que somos, sim, induzidos pelo mercado a adotar comportamentos nocivos. Hoje, o tabagismo é também reconhecido como uma pandemia. E também é uma doença pediátrica, porque 80% dos fumantes começa a fumar antes dos 18 anos. E, novamente, as dinâmicas do mercado que têm como alvo este grupo de pessoas, se fazem presentes. Dentre os arsenais, estão baixos preços, embalagens e sabores e posicionamento do produto, sempre próximos a balas, chocolates, chicletes. A indústria do tabaco quer exatamente o contrário do que a saúde pública almeja”, afirma. 

Como resultado, no mundo ainda temos 1 bilhão de fumantes e 6 milhões de mortes anuais, por conta do tabagismo ativo. E isso tudo custa 1.4 trilhões de dólares por conta de doenças e perda de produtividade. O prejuízo é enorme em saúde e economia. 

“No Brasil, temos 21 milhões de fumantes e 162 mil mortes ao ano. O custo anual é de 125 bilhões de reais por conta de doença e perda de produtividade. 23% de gastos com a COVID. Por isso, temos a Política Nacional de Controle do Tabaco, um tratado nacional que o Brasil aderiu e hoje é uma Política de Estado”. 

A alimentação saudável também esteve presente no debate. Para Paula Johns, diretora geral da ACT Promoção da Saúde, nos pratos é preciso constar comida de verdade. 

“Comer está relacionado ao social, ao cozinhar. É preciso evitar os alimentos ultra processados. Eles são supérfluos e quanto mais são consumidos, piores são os indicadores de saúde. Em termos de políticas públicas, temos que fazer restrição do marketing, principalmente o marketing infantil. Os piores produtos bombardeiam nossas crianças, e estão muito bem localizados para este grupo, com personagens fofos, coloridos. Outra questão importante é o ambiente escolar, que deve fornecer uma alimentação adequada aos alunos. A rotulagem frontal de advertência precisa mostrar os nutrientes críticos que estão acima do que é saudável, como excesso de açúcar, sódio, gorduras, dentre outros. A tributação também é um elemento muito importante no acesso, e muitos destes produtos não recomendados são artificialmente mais baratos. Isso porque muitas vezes compramos menos alimento, e mais aditivo”, finalizou.

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