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Com o passar dos anos, o papel dos Cuidados Paliativos no tratamento oncológico tem sido cada vez mais compreendido, bem como a importância de iniciá-los o mais cedo possível. Neste painel, profissionais da saúde e voluntárias na área conversaram sobre as suas vivências, o significado de ser paliativista e o caminho que a Saúde, nesta área, ainda precisa percorrer.

Raquel Vaz da Cunha, capelã hospitalar e idealizadora do projeto Papo de Mães, cujo foco é o diagnóstico precoce do câncer infantil, deu início ao debate contando sobre a primeira vez que ela teve contato com os Cuidados Paliativos (CP). Em 2012, seu filho mais velho foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin em estágio IV e o tratamento durou dois anos. Raquel compartilhou que os profissionais que realizaram os CP foram essenciais, pois olhavam para seu filho como um todo, inclusive para a família.

“Achamos o diagnóstico de câncer muito complicado, mas o prognóstico, indicando o cuidado paliativo, que na nossa ignorância remete à morte, foi muito mais difícil. Mas não é isso, essas pessoas fazem de tudo para minimizar o tempo de internação. Uma coisa que eu senti muito importante foi a comunicação, eles nos escutavam, acolhiam e olhavam além da doença. (…) O médico trata até curar, mas os profissionais de CP vão até o luto.”

A Dra. Débora Mattos, coordenadora científica da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) do Rio de Janeiro e membro do Comitê de Cuidados Paliativos Pediátricos da ANCP, ressaltou a importância do paliativista ser inserido o quanto antes na unidade de tratamento (criança e família) para que o trabalho possa ter a melhor qualidade. Além disso, também contou como é ser paliativista infantil.

“É descer no poço e sentar ao lado daquela criança e da família para entender aquela dor e dar voz a elas. A boa terapêutica se passa pela escuta. É preciso lembrar que estamos em um país em desenvolvimento e, às vezes, a família é analfabeta. Muitas vezes você não sabe que o pai que está ali na frente não sabe ler”, disse.

Dra. Cristhiane Pinto, médica paliativista no Instituto Nacional do Câncer (INCA) e presidente do Comitê de Cuidados Paliativos do Hospital Pasteur, alertou que menos de 1% da população que necessita de cuidados paliativos têm acesso a eles devido à falta de disponibilidade.  

“O Brasil tem, somente, serviços isolados e, por enquanto, não há previsão de mudar esse cenário tão cedo. A qualidade de morte no país é muito ruim e isso não tem a ver com violência ou morte no trânsito, isso é para doenças em geral. Percebe-se que a qualidade de morte aqui é ruim porque não há um grupo forte atuando em Cuidados Paliativos. Não tem uma política nacional de CP, a gente não tem resoluções do CFM, dos conselhos de enfermagem ou de outros profissionais de saúde. A gente precisa avançar muito nesse aspecto”, pontuou. 

O painel foi moderado pela Drª. Germana Hunes, gerente da unidade de Onco-hematologia e unidade Clínica e Geriátrica da Clínica São Vicente – Rede Dor. 

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