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Medicina Integrativa trata a pessoa em seu todo, baseada em evidências científicas. Nesta prática, faz-se uso de todas as abordagens terapêuticas adequadas e reafirma-se a importância da relação entre paciente e profissional de saúde. 

Dra. Sabrina Chagas, médica oncologista e vice-presidente do Instituto Nosso Papo Rosa, falou sobre a ciência inserida neste contexto. 

“Medicina Integrativa é toda baseada em ciência. Buscamos esse embasamento, para que consigamos levar estas práticas cada vez mais para o mercado de saúde, e para os profissionais que ali atuam. Estamos nos modernizando, mas as pessoas precisam estar cada vez mais pertencentes ao processo de cura, e elas procuram profissionais que possam auxiliá-las neste caminho. As pessoas têm muito medo. Medo do câncer, do tratamento, de morrer. As terapias integrativas transformam esse sentimento em amor, e passam a caminhar de maneira mais confiante e leve”, ressaltou. 

De acordo com a Dra. Regina Chamon, médica hematologista, responsável pelo serviço de Medicina Integrativa do Centro de Oncologia Especializada, o estresse é motivo para 70% das consultas no serviço de saúde e 47% dos pacientes onco-hematológicos apresentam este sintoma. 

“O estresse é uma reação natural do corpo, que serve para nos proteger. Quando pensamos em um estresse agudo, é positivo. Agora, quando o estresse é crônico, como é o diagnóstico do câncer, algumas pessoas começam a internalizar o que sentem, e passam a achar que estes sentimentos são bobagem ou até mesmo passam a se reprimir. E aí o organismo vai se desregulando, e possivelmente o paciente terá dificuldade no sono, passe a apresentar sintomas de ansiedade e até mesmo dores pelo corpo. Além de problemas no coração, como a arritmia. E tudo isso pode levar a comportamentos autodestrutivos”, falou. 

Mas é possível lidar com o estresse interno e externo. O primeiro passo é perceber o que se sente e filtrarmos o que é real, e o que não é. 

“Ainda assim, teremos uma resposta de estresse, ou seja, nosso organismo irá ‘ativá-la’, mas começaremos a perceber quando a respiração acelerou, quando o coração disparou. Passamos a produzir estímulos para retomar à normalidade. Então, conseguimos entender se aquela ameaça é realmente uma ameaça, ou só algo da nossa cabeça. E quando percebemos essa situação, teremos uma retomada da ‘calma’, mais próximo de nossa natureza”. 

Ao percebermos o estresse, podemos criar estratégias de adaptação – atividade física, alimentação, medidas para melhorar o sono, espiritualidade – e também induzir a resposta do relaxamento, por meio de práticas mente-corpo, com um conjunto de técnicas, como a meditação, yoga, hipnose e guiadas. 

“Evidências científicas apresentadas no ASCO comprovam que estas ações podem auxiliar na redução da ansiedade e depressão, melhora nos distúrbios do sono e redução da fadiga. Falamos sobre evidência científica, porque é importante termos cuidado com tudo o que usamos e que podem interagir com o tratamento. Hoje a ciência tem caminhado bastante”, finalizou. 

A fé e a espiritualidade também fizeram parte das discussões. Dra. Glauce da Silva, psicóloga clínica e hospitalar, coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Quinta D’Or foi quem abordou o tema. 

“É preciso entendermos a diferença entre fé, religiosidade e espiritualidade. A fé está ligada na confiança, no compromisso com aquilo que acreditamos. A fé é uma situação independente da religiosidade. A relação entre espiritualidade e os desfechos em saúde é bastante importante. São muitos os estudos que mostram o impacto positivo na saúde física, inclusive na redução de óbito e até mesmo de novos casos de doenças diversas. Pessoas que têm a espiritualidade desenvolvida apresentam um impacto menor da doença”, pontuou. 

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