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O segundo dia do Fórum Todos Juntos Contra o Câncer – Rio de Janeiro começou com o Nosso Papo Rosa, um encontro entre pacientes com câncer de mama e profissionais da saúde.

É notório que, a cada passar de ano, as mulheres ganham cada vez mais destaque na sociedade, incluindo nas áreas mais importantes da Oncologia e também na luta contra o câncer. E, claro, todo esse reconhecimento é essencial.  

Luciana Lobo, paciente oncológica e diretora do YOGAPICs e fundadora do Instituto ZENcancer, falou sobre a importância da transformação que o diagnóstico do câncer traz. 

“Tudo que existe, está em transformação. Nem sempre podemos mudar, mas podemos aprender a lidar com as mudanças. A partir disso, podemos sentir gratidão pela vida, e reconhecer tudo de bom que temos presente. Tem dias que não estamos bem. E está tudo bem não estar bem e precisarmos de colo”, comentou.

Por conta de sua experiência com a doença e o entendimento que era, sim, possível ajudar o outro, nasceu o Instituto Zencancer.

“O autocuidado é algo bem importante. Eu tinha que saber gerenciar meu estresse ao longo do tratamento, por isso entendi que poderia passar todo o meu aprendizado para as outras pessoas que estavam nesta mesma situação. A meditação integra o tratamento médico, então pode ser usada como uma técnica durante o processo. Mas é importante salientar que ela não substitui as terapêuticas padrões”. 

Anke Bergmann, fisioterapeuta e doutora em Ciências da Saúde, desmistificou a reabilitação das pacientes oncológicas como uma das etapas do tratamento. 

“Queremos prevenir as complicações, favorecer o diagnóstico precoce e tratar as complicações, sem a necessidade de precisar fazer uma reabilitação. Nossa atuação deve começar já no diagnóstico, para que o retorno das atividades seja mais rápido, além de manter a qualidade de vida, o que impacta nos resultados finais do tratamento. Também é importante pontuar que Fisioterapia não é só atividade física. Temos diversos outros recursos, como a Fisioterapia Respiratória, a Fisioterapia Aquática e Fisioterapia Integrativa. E todas estas podemos utilizar para a prevenção de complicações no quadro e também, claro, para a reabilitação”, enfatizou. 

Os mitos e verdades sobre a ligação entre alimentação e câncer também foram pautas neste painel. Paula Pratti, nutricionista com residência multiprofissional em Oncologia falou sobre as diversas notícias falsas, sem nenhum embasamento, que podem confundir os pacientes. 

“Muitos ainda têm a impressão que o câncer é sinônimo de morte, o que é preciso ser desconstruído, já que hoje existem muitas opções de tratamento. E aí, a partir disso, surgem muitos mitos. O primeiro passo é entender que o câncer não é uma doença única e cada tipo terá características próprias. Logo, a maneira de tratá-lo será bem diferente”, ressaltou. 

Uma pergunta que ela recebe muito é se o micro-ondas causa câncer. “Nenhum estudo conseguiu comprovar que este utilitário mude a estrutura molecular do alimento. Então, é preciso nos preocuparmos com os alimentos que esquentamos ali, ou seja, com a qualidade do alimento. Os potes de plásticos devem ser evitados, para que não solte substâncias BPA que, aí sim, podem ser cancerígenas, quando usadas em longo tempo”, explicou.  

A air fryer também vem gerando dúvidas, por conta da substância acrilamida que ela solta em altas temperaturas. 

“Qualquer recipiente que esquenta o alimento, pode gerar esta substância. Uma maneira de evitar é não deixar os alimentos ficarem muito queimados. Utilizar ervas aromáticas também é uma ótima dica, porque elas têm um potencial antioxidante. E sempre evite frituras! Para resumir, a air fryer não causa câncer! Outra dúvida que recebo é se o açúcar alimenta o câncer. É fake. Todas as células cancerígenas ou sadias utilizam glicose como fonte de energia primária. Então o excesso de açúcar deixa o organismo inflamado e pode levar ao sobrepeso. E aí, sim, o sobrepeso é um fator de risco para o desenvolvimento de câncer”, fala a nutricionista. 

De acordo com ela, o leite também não causa câncer! “Mas não recomendamos excesso de leite na alimentação diária. Já sobre as carnes vermelhas e processadas, em excesso (+ de 500g por semana), têm sim um risco maior de desenvolver a doença, principalmente o câncer de colo retal. Quando a dieta é pobre em frutas e vegetais, os riscos ficam ainda maiores. E lembrando, evitar tostar a carne, por conta da formação das acrilamidas”. 

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