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Neste painel, especialistas na área da Saúde e pacientes conversaram sobre a importância e como manter o autocuidado e, caso seja algo que aquela pessoa queira, a sexualidade durante o tratamento oncológico.

A Dra. Maria Julia Gregorio Calas, mastologista, presidente e idealizadora do Instituto Nosso Papo Rosa, deu início ao debate lembrando que a terapia contra uma neoplasia maligna tem potencial para gerar disfunções sexuais significativas. Algumas pacientes que realizam a mastectomia, por exemplo, podem enxergar esse procedimento como algo mutilador, mesmo após a reconstrução mamária.

“Precisamos fazer uma Medicina não totalmente medida por remédio. Temos que olhar o paciente como um todo. Precisamos enxergar a sexualidade além da reprodução”, ela disse.

Em seguida, Michele Salek, paciente oncológica, diagnosticada com câncer de mama e voluntária do Instituto Oncoguia, contou sobre a sua vivência de ter retirado as duas mamas com menos de 30 anos e outras questões relacionadas à autoestima enquanto enfrentava o tumor.

“Eu me via diferente de mim em vários aspectos, não só o corpo mas a mente também. Então, eu brincava que estava presa dentro de um corpo. Minha autoestima ficou abalada, mas foi naquele momento que eu entendi que a autoestima é mais que a beleza, eu entendi que é como eu me enxergo. Assim, eu me reconheci e passei a gostar de mim, mesmo estando com a forma física que eu menos gostei na minha vida, foi o momento que eu mais gostei de mim”, relatou.

A Dra. Paola Torres, onco-hematologista, escritora e presidente do Instituto Roda da Vida, explicou o porquê é preciso debater os problemas de gestão na área da Saúde no âmbito regional.

“A regionalização serve para que a empatia surja e, com certeza, melhora a adesão dos gestores públicos e privados, trazendo melhorias para o tratamento oncológico daquela região. Ninguém soluciona um problema sozinho, começa pela sociedade, indo até uma gestão mais sofisticada como o Ministério da Saúde e, até mesmo, à presidência. ”

Ela também ressaltou que a saúde de uma pessoa envolve os pilares de corpo, mente e espírito e que cabe a esses gestores levarem em consideração essas três bases ao desenvolverem os projetos.

“Quando pensamos em saúde, temos que fazer um investimento muito grande em autocuidado, podemos fazer isso cuidando da nossa mente, higienizando o sono (…). Não deveríamos esperar estar com câncer para pensar no autocuidado, precisamos pensar antes. Se já passamos por ele, ter atenção ao corpo é importante para tentar minorar a tendência de ter recidiva da doença”, falou.

Tatiana Presser, psicóloga, sexpert e educadora sexual, informou que a sexualidade é o sexto fator mais importante para uma pessoa alcançar o bem-estar e que o ato sexual, seja solo ou com parceria, é importante para os aspectos físicos e mentais do(a) paciente oncológico.

“Mesmo passando por um momento difícil para a saúde, a sexualidade continua sendo importante, mesmo que ela seja guardada, temporariamente, em um lugar, mas ela continua ali. O câncer, mesmo que venha se desenvolver de forma grave, não anula a importância da sexualidade. (…) É importante lembrar que a sexualidade envolve muito mais que o ato em si, a sexualidade vai além da penetração. O que não podemos esquecer é o poder terapêutico que ela exerce”, refletiu. 

Clarisse Derzié Luz, atriz e madrinha do Instituto Nosso Papo Rosa, compartilhou sobre a experiência dela como paciente de tumor mamário, a relevância de descobrir a alegria em pequenas coisas e os sete fatores que ela considera como mais importantes na busca da autoestima: 

 

  • autoconhecimento
  • autoaceitação
  • autoamor
  • fé seja no que for
  • pensamentos construtivos e saudáveis
  • bons hábitos
  • perseverança

 

O painel contou com a moderação da Dra. Sabrina Rossi P. Chagas, médica oncologista e vice-presidente do Instituto Nosso Papo Rosa. 

“Eu costumo falar para as pacientes que é preciso guardar um tempo para nós mesmas. Que a gente consiga se organizar para colocar o autocuidado na agenda. A mente faz parte do corpo, se um não está bem o outro também não”, disse.

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