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Tema: Desafios na Jornada do paciente com câncer

Organizador: Oncoclínicas 

O paciente com câncer está, cada vez mais, sendo colocado no centro do cuidado oncológico durante e após o tratamento. Para que isso pudesse acontecer as tecnologias, o conhecimento e a humanização precisaram se alinhar. Neste painel foi apresentado como essa evolução aconteceu, como ela ajudou, e ainda pode ajudar, na jornada do paciente e quais são as principais preocupações após a cura, já que, atualmente, essa é uma realidade para muitos pacientes.

Foi estimado que, no ano de 2016, haviam 15 milhões de sobreviventes do câncer nos Estados Unidos da América e 32 milhões no mundo inteiro. Números como esses mostram a importância de pensar em como será a vida do paciente depois o câncer e cria a pergunta “E agora?”. Considerando essa questão, alguns locais já utilizam a jornada survivorship, que acompanha o paciente desde o momento do diagnóstico, mas foca, principalmente, após a parte mais intensa do tratamento.

“O survivorship atua na vigilância e prevenção de recidivas e novos cânceres, identifica e gerencia antes e durante a terapia oncológica no que se refere a efeitos tardios e de longo prazo, além do aconselhamento e assistência à modificação do comportamento em saúde”, explicou Luciana Landeiro, Coordenadora do Núcleo de Pesquisa do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB)/ Grupo Oncoclínicas.

Anna Messias, enfermeira, especialista em Gestão em Saúde e Oncologia Clínica e especialista da Gerência Assistencial Nacional do Grupo Oncoclínicas do Brasil, contou sobre a evolução do cuidado aliado à tecnologia por meio de uma breve linha do tempo.

Devido ao modelo de saúde ser, atualmente, centrado no paciente houve a necessidade de aliar as tecnologias leves (relação entre equipe médica/paciente), leves-dura (conhecimento) e as tecnologias duras (equipamentos modernos). Alguns exemplos são a enfermeira navegadora e a telemedicina. 

“O paciente espera que o profissional da saúde consiga aliar todas as tecnologias para ter o atendimento ideal”, ela disse e completou afirmando que “o uso da tecnologia relacionada à Saúde, auxilia reduzir a lacuna entre os países de alta renda e os de baixa renda no tratamento, pesquisa e educação do câncer. ”

As tecnologias também permitem uma maior organização na linha de de trabalho, auxiliando a tornar os processos do diagnóstico e tratamento mais rápidos. Por exemplo, é possível agendar todos os exames de uma só vez. 

“O percurso é complexo e fragmentado para o paciente oncológico, pois ele tem que realizar a marcação dos exames e tratamento sozinho. Organizando os processos, a gente consegue quebrar a fragmentação do sistema e entregar um tratamento diferenciado e adequado”, considerou Hélio Calábria, Gerente Médico Executivo Nacional na Grupo Oncoclínicas

Todas essas ações, em conjunto, impactam na jornada do paciente, tema que foi abordado pela Kelly Rodrigues, CEO e fundadora na Patient Centricity Consulting. Ela falou da importância da jornada ser positiva, mesmo que o desfecho do tratamento seja negativo.

Para que esse percurso positivo aconteça, o centro de tratamento precisa levar em consideração a tríade da dimensão da experiência. Com isso, o paciente precisa ter: sucesso no atendimento, que precisa acontecer com cuidado técnico e qualidade; um baixo esforço para ter acesso e emoção. 

“Quando a gente fala de uma memória de experiência, só 5% é razão, os outros 95% é emoção. Eu não conheço nenhum serviço onde a emoção esteja mais presente que na área da Saúde, principalmente quando a gente fala dos pacientes oncológicos. Isso nos ajuda, como profissionais da saúde, como nós temos que ter empatia e paciência”, Kelly disse.

O debate foi mediado por Gisele Vitoria, jornalista e consultora de comunicação institucional do Grupo Oncoclínicas.

Tema: Inovação e cooperação no cuidado coordenado do paciente oncológico

Organizador: A.C Camargo e Hospital Mãe de Deus

Os Hospitais Mãe de Deus e A.C Camargo Cancer Center apresentaram os resultados da parceria realizada entre as duas instituições que teve como objetivo oferecer um melhor cuidado para o paciente em tratamento oncológico. Os principais pontos abordados foram a telemedicina, bem como os cuidados necessários que tanto o centro de tratamento/médico, quanto o paciente precisa ter, e os benefícios que o Tumor Board trouxe para o dia-a-dia dessas duas organizações.

“O contato com o paciente na telemedicina segue as mesmas regras de sigilo e com os mesmos cuidados de uma consulta presencial. As perguntas que chegam pelo Whatsapp não são consideradas uma consulta, e sim, apenas informações rápidas”, diferenciou Carlos Santomani, médico urologista no A.C.Camargo Cancer Center e assessor médico de Tecnologia da Informação (TI). 

Ele explicou que as plataformas de telemedicina seguem regras rigorosas para proteger os dados da pessoa e que os prontuários precisam estar ligados a essa plataforma para garantir segurança. Porém, essa proteção também faz parte das responsabilidades dos pacientes. Por isso, é recomendado que sejam tomadas algumas medidas de precaução, por exemplo, que a consulta não seja realizada em locais públicos.

O Dr. Santomani ainda ressaltou que outra vantagem da telemedicina é a troca de experiências entre médicos e que, em alguns lugares, esse método já é utilizado para segunda opinião.

O intercâmbio de conhecimentos também foi exaltado na apresentação sobre o Tumor Board feita por Alan Azambuja, gestor do Centro Integrado de Oncologia do Hospital Mãe de Deus.

Tumor Board são reuniões multidisciplinares com objetivo de discutir o diagnóstico, aspectos do tratamento e o melhor gerenciamento do cuidado do paciente, com base na literatura, experiência dos profissionais e diretrizes técnicas em diferentes disciplinas”, explicou.

Essa colaboração entre os diversos profissionais da equipe médica pode aumentar a taxa da sobrevida, a qualidade de vida do paciente e diminuir os tempos para tratamentos, entre outras coisas.

Marcos Cunha contou como funciona a parceria entre o Hospital Mãe de Deus e o A.C Camargo Cancer Center, que tem como objetivos: expandir linha de cuidados em câncer; oferecer acesso a tratamentos raros,  desenvolver atividades de Ensino e Pesquisa em cooperação; oferecer oportunidades de intercâmbio para médicos e outras categorias profissionais etc.

Leonardo Morelli complementou contextualizando sobre como o Hospital funciona, os princípios do cuidado com os pacientes e as mudanças que a utilização do Tumor Board trouxe para o tratamento oncológico.

“A parceria com o A.C Camargo tem como objetivo a busca pela excelência no manejo dos casos clínicos, troca de expertise entre os profissionais e entrega, ao paciente oncológico, da melhor medicina possível”, disse.

O debate foi moderado por Luciana Holtz, psico-oncologista, especialista em Bioética, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia.

Tema: Mente, corpo e espírito. A integralidade do cuidado

Organizador: Movimento TJCC

A Medicina Integrativa trata a pessoa em seu todo, baseada em evidências científicas, faz uso de todas as abordagens terapêuticas adequadas e reafirma a importância da relação entre o paciente e o profissional da Saúde. Como o próprio nome sugere, essa prática utiliza, além da medicina tradicional, outros métodos, como acupuntura, yoga, musicoterapia etc, para tratar todos os âmbitos do paciente.  

É importante lembrar que a prática integrativa oferece possibilidades de terapias que são adjuvante ao tratamento oncológico principal. O Dr. Alexandre Massao, Vice- Presidente do Colégio Médico de Acupuntura de São Paulo – CMAESP, reforça que esses métodos, em momento algum, podem substituir uma quimioterapia, por exemplo. Porém, é fundamental que essas práticas, especialmente no caso da acupuntura, sem iniciadas juntamente com o tratamento oncológico para ter maior eficácia. 

“O objetivo principal da acupuntura é melhorar a função dos órgãos, diminuir ou eliminar a dor, equilibrar as emoções, melhorando a qualidade de vida. A acupuntura não apresenta benefícios diretos ligados ao câncer, mas sim sobre os sintomas ligados à doença e ao tratamento. Então, melhora a intensidade dor, melhora o desempenho das atividades diárias, diminuição do uso de medicamentos, principalmente para dor, aumenta a imunidade e melhora da ausência da saliva”, disse.

“Você não precisa abrir mão do tratamento convencional para fazer um tratamento em oncologia integrativa. Ele é um tratamento integrado como o convencional e ele prioriza a segurança e, por isso, se utiliza das melhores evidências para serem aplicadas ao tratamento”, complementou a Drª. Paola Torres, Paola Torres Costa, Onco-hematologista e escritora, Mestre e doutora em Farmacologia da Inflamação e do Câncer, Fellow em Medicina Integrativa pela Universidade do Arizona e pós- doutorado em Biologia Cultural.

Ela ressaltou uma pesquisa na qual os resultados mostram que 4 a cada 10 americanos acreditam que o câncer pode ser tratado apenas com terapias integrativas. Porém, um outro estudo, que também foi apresentado pela Drª. Paola,  apontou que pessoas que optaram tratar o câncer apenas com práticas integrativas tiveram uma taxa de morbidade 2,5 vezes maior em comparação com aqueles que utilizaram o tratamento convencional em conjunto com o integrativo.

“O  doutor é mais forte que a doença, E a bondade deve compartilhar, Alegria e o amor deve espalhar, Dando à vida o valor e a garantia. Medicina, cordel e cantoria, É remédio que veio para curar”, recitou.

A Drª. Nise Yamaguchi, Oncologista e imunologista, com doutorado em Pneumologia, desenvolvido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), falou a respeito de como o conhecimento sobre o câncer e sobre o paciente podem construir a integralidade do atendimento oncológico. 

“A integralidade que nós queremos dar ao paciente é pautada pela forma  que nós entendemos o câncer. O tratamento baseado somente na patologia, é muitas vezes, insuficiente para que seja possível personalizar o tratamento. É preciso ir além, é preciso saber as mutações genéticas adquiridas, herança familiar de genes causadores de câncer, mecanismos de reparo celular defeituosos, ferramentas de evasão do sistema imune. É preciso integrar corpo, mente, alma e DNA”, considerou

O Dr. Emílio Telesi Júnior, Coordenador da Área Técnica de Medicinas Tradicionais, Homeopatia e Práticas Integrativas e Complementares da Secretaria Municipal da Saúde, SP e doutor em Serviços de Saúde pela Universidade de São Paulo, abordou as práticas integrativas presentes no município de São Paulo. Segundo ele, 50% da rede municipal possui esse tipo de terapia, oferecendo acupuntura, auriculoterapia, dança circular, fisioterapia, meditação e tai chi.

“Os principais desafios para o município de São Paulo é ampliar ainda mais a oferta de PICS (práticas integrativas) e aprimorar a gestão da área técnica”, compartilhou.

O debate foi moderado pelo Dr. Davi Jing Jue Liu, Oncologista e gestor de saúde. Autor de livros na área de educação, atualmente é médico no ambulatório de Câncer de Mama da UNIFESP e do Instituto Avanços em Medicina.

Tema:  O futuro da Oncologia no Brasil – a visão das sociedades médicas

Organizador: Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)

As Sociedades Médicas do Brasil apresentaram suas visões de como a Oncologia será no país futuramente. Para poder fazer essa previsão, foi construído um contexto sobre os investimentos no tratamento oncológico, especialmente nas cirurgias e radioterapias, e quais são os efeitos da pandemia na Saúde, por meio do ponto de vista dessas instituições.

Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), contou que a principal ação da SBOC com a população foi tentar equilibrar o medo da COVID-19 com as consequências do não tratamento e não diagnóstico do câncer no tempo adequado. Já com os oncologistas associados, o foco foi em incentivar a telemedicina e fazer uma aproximação entre esses profissionais para que eles tivessem a oportunidade de  contar com a troca de conhecimentos para chegar a uma decisão sobre como proceder com cada paciente. Com isso, Clarissa acredita que as escolhas foram mais assertivas.

“O momento ainda é extremamente grave, com problemas sérios dentro da saúde suplementar e do Sistema Único de Saúde (SUS). Nós não sabemos realmente quando tempo a pandemia vai durar para nos preparar para o futuro”, ressaltou.

Apesar do cenário do novo coronavírus resultar em um aumento de até 57% nas mortes por causas oncológicas no ano de 2020, há algumas situações que já faziam parte da realidade brasileira, anteriormente, e que também são motivo de preocupação das organizações.

A dificuldade de acesso aos recursos, ausência de linhas de cuidado e de redes de assistência, formação profissional e “canibalização” de recursos foram alguns dos elementos preocupantes elencados por Rodrigo Nascimento Pinheiro, Diretor Nacional de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

“Sim, tivemos um aumento do investimento público em oncologia, principalmente em tratamentos oncológicos, mas, analisando os dados de 2010 do Tribunal de Contas da União, somente 9% desses recursos são destinados a cirurgia. Em 2016, nós tivemos cerca de 31% do orçamento da União destinados ao acesso e efetivação da cirurgia oncológica como ferramenta de tratamento”, disse.

Atualmente, considera-se que, em 90% dos casos, os pacientes oncológicos são submetidos à cirurgia em algum momento do tratamento e, em 60%, ela pode ser utilizada como único método curativo.

A radioterapia é outro possível tratamento oncológico que também não tem recebido o investimento necessário.

“Investir em prevenção é o caminho mais barato, mas se não houver uma divisão de investimento igualizada não vai adiantar nada”, considera Arthur Accioly, Presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e Diretor de Radioterapia do Grupo Oncoclínicas.

Ele ainda salientou que o paciente brasileiro que utiliza o SUS viaja, em média, 72km para ter acesso à radioterapia. Em Roraima essa distância pode ser de até 1600 km. Há um plano de aumentar a quantidade de aparelhos e centros especializados nesse tipo de terapia no país para a próxima década. Entretanto, o para montar um local que ofereça esse serviço demora, no mínimo, de dois a três anos.

O debate foi moderado por Nilva Bortoleto, farmacêutica bioquímica, formada pela Universidade de São Paulo, pós-graduada em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e consultora do Movimento TJCC.

Pós-coronavírus: como ficará a atenção oncológica

Organizador: Movimento TJCC

Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica preocupou os especialistas ao anunciar que mais de 50 mil pessoas deixaram de receber o diagnóstico do câncer, por conta da pandemia. Isso pode mostrar que, muitos destes casos, chegarão em estadiamentos avançados da doença nos hospitais públicos e privados e a busca pelos serviços médicos também pode receber um volume maior do que o esperado – e até mesmo passível de atendimento em tempo adequado.

Segundo a Dra. Clarissa Matias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o novo paradigma em 2020 é que a comunidade oncológica vem tentando se equilibrar entre continuar o tratamento do câncer e o medo de contrair a COVID-19.

“Tivemos importantes reduções nas visitas ambulatoriais e também nas cirurgias oncológicas, com cerca de 70%, e uma redução de 30% em pacientes oncológicos no ICESP. As consultas também obtiveram uma queda grande, de até 40%. Precisamos dar à população a segurança para a não propagação do vírus, e dentre as ações estão as zonas chamadas por covid free. Pacientes em tratamento oral não precisam ir ao hospital, e este foi um apelo que fizemos ao Governo”, falou.

A Dra. Ana Cristina Pereira, diretora-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), apontou alguns dos principais desafios do sistema de saúde pública: a população envelhece mais nos dias de hoje, o que aumenta os casos de câncer; a judicialização, para uso de medicamentos de alto custo; cuidado fragmentado; e o custo dos tratamentos.

“Com a pandemia, novos desafios surgiram e agravaram os já existentes. E entendo que o maior de todos foi a necessidade de agilidade na tomada de decisões, mesmo com a baixa de recursos humanos para o atendimento na linha de frente. No INCA, realizamos a testagem de pacientes e profissionais de saúde, além do monitoramento daqueles com a suspeita ou contaminação pela COVID-19. Não tivemos impacto na quimioterapia, mas a radioterapia sofreu diminuição. Continuamos a trabalhar na linha integral de cuidados, realizando o manejo dos fatores de risco e para a detecção precoce do câncer”, comentou. E finalizou: “Precisamos otimizar a assistência oncológica, obedecendo aos protocolos e diretrizes de rastreamento e tratamento”.

A pesquisa clínica tem sido assunto constante, já que muitos esperam pela vacina que irá combater o novo coronavírus. Durante a pandemia, foi criado o Comitê de Avaliação de Estudos Clínicos para dar um rápido seguimento a possíveis novas possibilidade de tratamentos. Mas, e para o câncer, será possível aprovar novos tratamentos com mais eficiência também?

Para Claudiosvam Martins Alves de Sousa, especialista em Regulação de Vigilância Sanitária na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sim, esta é uma possibilidade.

“Temos já trabalhado com um prazo menor para a aprovação de novos estudos clínicos. A pandemia gerou essa necessidade de urgência, e com certeza para o câncer este aprendizado será importante. Então o critério é que, se o estudo já foi aprovado por algumas agências vinculadas à Anvisa, não precisamos rever novamente o estudo, para darmos andamento a ele. Com a criação deste Comitê, precisamos fazer um esforço maior. É a mesma equipe que avalia os novos estudos de COVID e câncer, por exemplo. Mas estamos tendo uma curva de aprendizado muito importante. Nós percebemos que há uma margem e que podemos, sim, melhorar o prazo de aprovação de novos tratamentos oncológicos. Certamente isso será revertido na revisão dos regulamentos e como resultados nós teremos redução de prazos”.

Paciente oncológico idoso: da qualidade de vida à sexualidade. Tudo que seu amigo sempre quis saber, mas tinha medo de perguntar. 

Organizador: Libbs

O Brasil está enfrentando um processo de envelhecimento muito rápido. Em 30 anos vamos passar de 14% a 30% de idosos no país. E, claro, isso gera um impacto em termos de saúde, já que ao envelhecermos, temos uma maior probabilidade de apresentarmos comorbidades. 

“O preparo para o envelhecimento não começa aos 60 anos, e sim muito antes disso, com o estilo de vida que a pessoa leva. As pessoas não têm medo de chegar aos 90 anos, mas sim de chegar a esta cidade sem qualidade de vida”, disse Theodora Karnakis, especiliasta em Geriatria pela Faculdade de Medicina da USP. 

Envelhecimento, câncer e sexualidade são grandes tabus na sociedade, e é preciso mudar isso. É fundamental entender os desejos do paciente e o que é bom para ele.

“O papel do médico é explicar para o paciente que ele está seguro. O parceiro, por sua vez, também pode ter medo de expressar seus desejos. Mas a vida sexual não pode se tornar um problema, e sim ser algo natural. O estímulo sexual pode vir de outras maneiras, como carinho, afeto, comprometimento. E não devemos esquecer que sexo também está ligado à autoestima. Uma paciente que passou por um câncer de mama, por exemplo, e que precisou retirar parte ou o seio todo, pode querer colocar uma prótese. Mas, por ser idosa, muitas vezes isso não é oferecido para ela. Está errado e precisa ser mudado”, diz Theodora. 

Para Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, comunicar-se é sempre o melhor caminho. 

“Muitas vezes, os profissionais não percebem que o paciente está enfrentando problemas sexuais, por entenderem que outras coisas podem ser mais importantes naquele momento. De fato, por ser um assunto tabu, é possível que esta seja a última coisa a ser perguntada ao médico, mas isso não quer dizer que o pensamento não esteja ali. Por isso, falar sobre o assunto pode ser uma excelente alternativa. Inclusive, entre os casais. É preciso orientar estes pacientes a respeito da sexualidade e desmistificar o tema”, comentou. 

Prioridades do cuidado oncológico – A visão do paciente

Organizador: Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) 

Muito se fala sobre o câncer e sobre as diferentes alternativas de tratamentos para combate-lo. Mas e como fica a pessoa que está enfrentando a doença, em meio a tantas informações?

Neste painel, decidimos dar voz a quem mais importa e quisemos entender como os pacientes lidam com a neoplasia e suas vidas pessoais. 

Amanda Vieira, engenheira e paciente de linfoma de Hodgkin, entende que buscar lado positivo das coisas é sempre o melhor caminho, e que suas decisões também importam.

“Quando recebi o diagnóstico, fazia tudo certinho o que o médico pedia. Mas conforme vai passando o tempo, e nós vamos conhecendo mais sobre a patologia, passei a entender que também tenho um papel importante nas decisões. Precisamos sempre buscar por informações, para entendermos os nossos limites e quais as melhores escolhas, e assim conseguir tomar decisões junto com o meu médico. Tive o diagnóstico de linfoma em 2014 e 1 e meio após o primeiro tratamento, tive uma recidiva. Fiz novamente tratamento e agora estou em remissão”, contou.

O contato com outros pacientes também pode ser alternativa no momento do diagnóstico. Afinal, nada como compartilhar experiências com quem já viveu na pele a mesma situação.

“Quando recebei o meu diagnóstico, de leucemia mieloide crônia, em 2017, uma das ferramentas que me ajudaram foram os depoimentos de outros pacientes. Por isso é muito importante essa troca. Também entendo que o médico precisa entender que o paciente precisa de maior atenção. Recentemente, ajudei um paciente, que tinha recebido a orientação errada para o uso do medicamento. Ele estava doando, sendo que precisava tomar toda a caixinha”, disse Thiago Brasileiro, engenheiro. 

O acolhimento, tanto pelo médico, quanto também por associações de pacientes, também foi assunto de destaque do painel. Itaciara Monteiro, paciente de leucemia mieloide crônica e assistente de apoio ao paciente da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), destacou a importância do trabalho desenvolvido pela organização.

“Sou paciente de LMC a 20 anos e quando iniciei meu tratamento, tive muita dificuldade de ser acolhida. E hoje a Abrale acaba oferecendo uma ajuda personalizada. Hoje, temos médicos nos indicando, para oferecer apoio ao paciente. E nós, da Abrale, abraçamos esse paciente de forma ampla, com apoio psicológico, nutricional, de segunda opinião médica para quem trata pelo SUS. Quantos casos já peguei, em que o médico errou ou não indicou todas as opções adequadas, e numa segunda consulta, o paciente teve acesso ao que precisava. Também fazemos a conexão entre pacientes, por meio do Comitê de Pacientes. Tenho orgulho em fazer parte deste trabalho e isso só me mostra que estou no caminho certo”. 

Glauco Lima, engenheiro e especialista em Alianças Estratégicas da Abrale, falou sobre o paciente ser muito mais do que somente o câncer em si.

Sempre digo que conhecimento não tem dono. Se existe uma hora que devemos usar o conhecimento, é sendo autor da nossa própria história e falar a mesma língua do profissional de saúde. A medicina personalizada engloba não somente o combate ao tumor, mas também o paciente, que é um ser com história, sentimentos, trabalho, relacionamentos. Para mim, a doença não é meu único foco. Faço meu tratamento, sempre busquei as melhores opções e fui o primeiro paciente a fazer imunoterapia – já tomei 75 doses. Mas tenho filhos, faço esporte, foco em me alimentar bem, tenho o meu trabalho. A precisa seguir”, destacou.

Avanços e desafios do câncer no Brasil

Organizador: Movimento TJCC

O Movimento Todos Juntos Contra o Câncer é um movimento da sociedade brasileira que congrega representantes de diferentes setores voltados ao cuidado do paciente com câncer, como gestores de saúde, entidades médicas, hospitais, profissionais de saúde, pesquisadores, profissionais de imprensa, associações de pacientes e outros, comprometidos com a garantia do direito do paciente ao acesso universal e igualitário à saúde.

Todo o trabalho é realizado de acordo com a Declaração para a Melhoria da Atenção ao Câncer no Brasil, um documento fundamentado na Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer com as principais demandas do segmento, que devem ser olhadas e trabalhadas pelo governo e sociedade civil organizada.

E para monitorar e ampliar cada uma das ações, o Movimento conta Grupos de Trabalho (GTs), formados por especialistas nas diferentes áreas de atuação na Saúde. 

Neste painel, membros dos GTs participaram para contar como estão caminhando com algumas das temáticas. 

Sonia Mansoldo Dainesi, doutora em Medicina Preventiva, falou a respeito do GT de pesquisa clínica. De acordo com ela, os estudos clínicos são a única maneira de obter dados sólidos para embasar os registros de novos produtos pela Anvisa. Ela destacou também a importância da participação dos pacientes.

“Não existe pesquisa clínica sem a participação dos pacientes. Por isso é fundamental que eles tenham voz e sejam ouvidos durante todo o processo. Também é preciso mudarmos a visão de que os participantes são cobaias, porque não são. Quem participa de um estudo clínico é um voluntário, que deve ser tratado com muito respeito e atenção”, falou.  

A pandemia tornou a pesquisa clínica um dos assuntos mais comentados, em especial por conta dos estudos feitos em todo o mundo em busca de uma nova vacina. 

“No Brasil, temos uma burocracia que atrapalha o avanço das pesquisas no país. E também não há uma lei focada neste tema. Queremos mudar isso. Nosso grupo tem trabalhado no projeto de lei 7082/2017, que objetiva uma harmonização dos princípios e diretrizes que norteiam a pesquisa clínica no Brasil, além da garantia da análise ética da pesquisa com seres humanos, com papéis e responsabilidades para CEPs e para CONEP, desburocratização na avaliação ética e mais celeridade e transparência nos pareceres e melhor delimitação de prazos para análises éticas e regulatórias”, posicionou.

A Dra. Alice Francisco, mastologista e ginecologista, apresentou as ações do grupo de trabalho sobre o GT de câncer feminino, que tem por finalidade auxiliar na redução da incidência e morbimortalidade por câncer em mulheres, incentivar a implementação da política nacional de atenção integral a saúde da mulher e avaliar como está o panorama atual do câncer feminino.

“Dentre nossas principais ações estão a realização de dois importantes indicadores sobre o câncer de mama e o câncer de colo de útero. Eles mostram o contexto atual destes dois tipos da doença, trazem os registros em bases de dados atuais e propõem ações para melhorias no cenário atual. Nestes indicadores, que são referentes aos anos de 2012 a 2019 e públicos, dentre os diversos dados, é possível consultar quais são os centros que tratam estes tipos de cânceres em todo o país. É possível ver o número de pacientes que usaram quimio, hormonioterapia, quantas mulheres fizeram o tratamento pelo SUS e quantas morreram por conta das doenças”, destacou. 

Já Wilson Follador, doutor em Farmácia, abordou um tema muito importante: acesso ao tratamento. Para ele, essa é uma discussão essencial, porque acesso implica na ideia de que os pacientes devem poder obter os tratamentos necessários à sua saúde, na quantidade e qualidade que precisam e, claro, em tempo oportuno. 

“De que adianta termos medicamentos tão eficazes, se não chegam ao paciente? Nosso grupo entende que os tratamentos para câncer são onerosos e esse fator, do custo alto, dificulta para que as pessoas possam comprá-los. E aí, passamos a ter uma alta dependência do sistema de saúde, em especial o público. A demora na obtenção do tratamento ou fornecimento de terapias pode significar a diferença entre vencer ou perder a batalha contra o câncer. Claro, essa é uma discussão que envolve muitos aspectos, mas precisamos trabalhar em alguns deles, como os preços dos medicamentos, a falta deles, problemas estruturais ou gerenciais, interesses secundários, falta de integração no sistema de saúde e baixa qualidade da informação”, salientou.

Denise Martins, formada em Farmácia e gerente das áreas de comunicação e pesquisa da Abrale, apresentou informações referentes ao novo GT, sobre financiamento em saúde.

“Sabemos da urgência do tema e por isso achamos importante seguirmos neste grupo.  Nossos principais objetivos são discutir e propor modelos de financiamento para saúde que atendam às necessidades de saúde da população e também, claro, as necessidades da atenção oncológica, no que tange a promoção da saúde, prevenção e cuidado integral do câncer. Também é preciso que sejam sustentáveis dentro de nossa economia”, comentou.

A crise econômica que vivemos é tida como uma restrição. “São várias as propostas que temos para atuação nos próximos meses, mas decidimos iniciar pelo desenvolvimento de estudos sobre Economia em Saúde. Assim, elaboramos um estudo para dimensionar o custo real do tratamento do câncer de mama, o mais prevalente no país, nos diferentes estágios da doença. Com ele, queremos avaliar os gastos com prevenção e também dimensionar a defasagem no repasse do SUS em relação ao custo real com o tratamento. Para isso, levantaremos o custo real, diretos e indiretos, dos medicamentos utilizados, radioterapia, cirurgia, dentre outros e também coletar dados a partir do prontuário dos pacientes”, explicou Denise. 

A comunicação também foi tema de destaque neste painel, com apresentação de Simone Simon, jornalista integrante do GT com esta finalidade.  

“Nosso grupo objetiva fortalecer o TJCC como líder na comunicação sobre Oncologia no país, tornando o tema estratégico para a disseminação e troca de informações entre as instituições, comunidades e indivíduos. Para isso, discutimos, monitoramos e apoiamos a comunicação com enfoque nas pautas em destaque na mídia, além de trabalharmos a informação como forma de educação aos pacientes, familiares e população como um todo”, finalizou. 

Religiosidade e espiritualidade como instrumentos de prevenção e controle do câncer

Organização: Associação Médico Espírita 

A religiosidade e a espiritualidade constituem uma estratégia de apoio importante diante de situações difíceis, como é o caso do diagnóstico do câncer. Evidências científicas comprovam que a fé pode influenciar positivamente na saúde e qualidade de vida de todos os envolvidos no cuidado oncológico.

Marcelo Saad, doutor em Ciências da Reabilitação, pela UNIFESP, e membro diretor da Associação Médico-Espírita de São Paulo, explicou que não há uma definição sobre qual o conceito de religiosidade e espiritualidade. 

“A espiritualidade está ligada ao propósito, conexão e humanismo. A religiosidade a elementos externos, como doutrina religiosa, cultura, instituições, tradição. A fé, que independe de ritos religiosos, pode trazer um bem-estar ao paciente e também ao profissional de saúde. E neste contato médico e paciente, é muito importante que o profissional entenda e respeite as crenças daquela pessoa que está atendendo. É preciso fazer uma breve triagem das necessidades espirituais do paciente, e também das necessidades psicológicas. Afinal, estas questões podem impactar diretamente no tratamento. O bem-estar religioso e espiritual é item importante de qualidade de vida”, disse. 

Fábio Nasri, médico pela UNIFESP e presidente da Associação Médico-Espírita de S. Paulo, falou sobre os resultados positivos que a espiritualidade pode trazer à saúde.

“A espiritualidade é uma busca individual e uma prática pessoal. Quando há o diagnóstico de uma doença grave, como o câncer, é possível ter aprendizados por meio da espiritualidade. Atender ao serviço religioso mais de uma vez por semana, foi associado a 33% menor de mortalidade em mulheres, por diferentes causas, em comparação com aquelas que nunca tinham atendido. Os benefícios da prece também podem diminuir o nível de adrenalina, melhora do sono e conexão consigo mesmo”.

Felipe de Moraes, médico Oncologista pela Faculdade de Medicina da USP e atuante no Hospital São Camilo Pompéia, abordou os preconceitos que a espiritualidade pode sofrer no mundo da ciência.

“A religião não é algo obscurantista e que carrega o conceito de magia. Religião e Medicina não são excludentes, por isso não é preciso escolher ou um, ou outro. Os dois podem andar muito bem juntos”, comentou. 

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