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COVID-19 e o câncer

Os impactos da COVID-19 na Oncologia foi o tema da plenária de abertura no 7° Congresso Todos Juntos Contra o Câncer. E não poderia ser diferente, já que o novo coronavírus chegou no início deste ao Brasil e causou importantes mudanças na Saúde do país, seja ela pública ou privada.

Telemedicina, vacina e alterações no tratamento do câncer foram alguns dos temas discutidos entre os convidados.

Andre Ilbawi, oficial técnico de controle do câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS), falou sobre as estratégias utilizadas para reverter as dificuldades enfrentadas por pacientes e profissionais da saúde a respeito da postergação e até mesmo cancelamentos de tratamentos e consultas, além do alto número de diagnósticos represados por conta da pandemia. 

“No início, estávamos em um momento onde a informação era escassa e não sabíamos o que a COVID-19 traria, mas isso mudou. No contexto de crise sanitária, é preciso o atendimento oncológico faça parte do plano de emergência dos governos. É possível continuar com o tratamento do câncer, e a comunicação é um dos pontos chaves. É preciso ciar uma força de trabalho, como aumentar o uso da telemedicina, adaptar papel e responsabilidades e até mesmo promover visitar em casa aos pacientes”, falou. 

A telemedicina também foi assunto recorrente ao longo do evento, já que no Brasil ela pôde ser considerada uma novidade: antes da pandemia este tipo de atendimento não era permitido no país. 

“Foi um experimento de rápida evolução. Ela iria acontecer mais cedo ou mais, e com a pandemia ela aconteceu mais rápido. Agora, é preciso avançar. Telemedicina é Medicina, portanto, exige os mesmo cuidados, responsabilidades e compromisso ético que nas consultas presenciais. Hoje, conheço não só o paciente, como toda sua família. Facilitar o acesso para todos é um caminho importante de ser pensado”, explicou o Dr. Phillip Scheinberg, chefe da área de hematologia do Centro de Oncologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Ele também falou sobre a tão esperada vacina contra a COVID-19, já que ainda há dúvidas sobre a segurança no uso aos pacientes em tratamento oncológico. 

“Não podemos nos esquecer que os pacientes onco-hematológicos são parte do grupo de risco, por terem uma imunidade mais imunossuprimida e a depender de como for a vacina, podem não receber a indicação de tomá-la. É muito importante termos dados de seguarança e eficácia e estudos em protocolos menores”, falou. 

Henrique Prata, presidente do Hospital do Amor, trouxe o olhar da pandemia no sistema público de saúde – um dos mais impactados em todo o país. 

“Nos primeiros meses da pandemia, a capacidade de atendimento oncológico caiu para 70%, mas agora já subiu e encontra-se em 90%. A telemedicina foi uma alternativa que salvou muitos dos nossos pacientes que tinham necessidades secundárias. Por isso, entendo como obrigatório conseguirmos um financiamento para este tipo de atendimento no SUS”. E completou: “Muitas pessoas achavam que o câncer era um problema apenas do governo, quando na verdade é de todos. Acho que agora há uma nova consciência de que toda a sociedade deve se engajar na relação com a saúde.”

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