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Combate à COVID-19 : Movimento Todos Juntos Contra O Câncer Articula Reunião Com Organização Pan-Americana Da Saúde (OPAS/OMS) E Co-proponentes Da Carta Aberta Para Discutir Recomendações Emergenciais Ao Brasil

Combate à COVID-19 : Movimento Todos Juntos Contra o Câncer articula reunião com Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e co-proponentes da Carta Aberta para discutir recomendações emergenciais ao Brasil

Nesta quarta-feira, dia 31 de março de 2021, ocorreu uma reunião on-line do Todos Juntos Contra o Câncer (Movimento TJCC), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e co-proponentes da Carta Aberta sobre a COVID-19. A OPAS/OMS já têm prestado cooperação e apoio técnico ao Ministério da Saúde e ao Sistema Único de Saúde (SUS) para que a resposta do Brasil possa ser continuamente aperfeiçoada. Por outro lado, foi ressaltada a importância do engajamento e endosso da OPAS/OMS a essa articulação. 

Apresentação Movimento TJCC 

Dr. Nelson Hamerschlak, médico onco-hematologista e presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), foi o responsável por apresentar o Movimento TJCC, que surgiu em 2014, da necessidade de aprimoramento na atenção oncológica do país. Hoje, mais de 200 organizações fazem parte, além da mobilização direta com pacientes, gestores de saúde, sociedades médicas, hospitais, profissionais de saúde e pesquisadores.

A carga do câncer no mundo

O câncer e as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) configuram um desafio à saúde mundial. Constituindo-se como uma das principais causas de adoecimento e óbitos no mundo, contribuem para o elevado número de mortes prematuras, perda de qualidade de vida com alto grau de limitação nas atividades de trabalho e de lazer, além de impactos econômicos para as famílias, comunidades e a sociedade em geral. Este grupo de doenças agrava as iniquidades e aumenta a pobreza, conforme o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT no Brasil, 2011-2022. Se nada for feito, em 2029 o câncer se tornará a primeira causa de morte no Brasil.

Ao redor do mundo, as DCNT constituem o problema de saúde de maior magnitude. São responsáveis por 72% das causas de óbitos, com destaque para doenças do aparelho circulatório (DAC) (31,3%), câncer (16,3%), diabetes (5,2%) e doença respiratória crônica (5,8%), e atingem indivíduos de todas as camadas socioeconômicas e, de forma mais intensa, aqueles pertencentes a grupos vulneráveis, como os idosos e os de baixa escolaridade e renda.

Piora do cenário da saúde no Brasil

Com a pandemia da COVID-19 e a sobrecarga do sistema, uma profunda crise se instaurou na área da saúde no Brasil, acarretando na deterioração da atenção ao câncer e doenças crônicas, desde o seu diagnóstico ao tratamento e cuidados paliativos.

Com o prolongamento e agravo da pandemia no país, o Movimento TJCC mobilizou os seus membros e outras redes de organizações da sociedade civil para atuar em conjunto com o governo e criar soluções emergenciais para o enfrentamento da COVID-19 no país.  Diante deste cenário, os especialistas de saúde preveem uma epidemia de câncer e outras DCNT.

Transcendendo a nossa agenda da Oncologia, o Movimento TJCC reuniu esforços para reduzir o sofrimento da população brasileira e auxiliar a resposta da Saúde.  Especialistas do Movimento apontam que devemos ter foco na imunização, no controle da COVID-19 e em medidas de proteção à população que têm maior risco de agravamento e óbito desta doença.

O objetivo é definir e priorizar as ações e os investimentos necessários em preparar o Brasil para enfrentar e deter a COVID-19, o câncer e as outras DCNT. Também é promover o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para a prevenção e o controle destas doenças e de seus fatores de risco, além de fortalecer os serviços de saúde voltados para esta assistência.

O encontro do Movimento TJCC e as redes de organizações da sociedade civil com a OPAS

No início do evento, o Dr. Nelson Hamerschlak comentou sua experiência na linha de frente do combate à COVID-19, sobretudo em relação ao cuidado de pacientes em que parte dos casos ficam com sequelas cardíacas, intestinais, neurológicas e pulmonares.

O Sr. Rafael Dall Alba, que representou a Dra. Socorro Gross da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), parabenizou os participantes pela iniciativa da Carta Aberta e ressaltou que frente às dificuldades impostas pela pandemia é primordial unir forças.

Em seguida, Mark Barone, fundador e coordenador do Fórum Intersetorial para Combate às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs), ressaltou que há uma grande diferença na atuação dos municípios e estados brasileiros no enfrentamento da doença e na definição dos grupos prioritários para a vacinação.

O estado da Bahia foi destacado como exemplo nacional no enfrentamento da pandemia. Incluiu no grupo prioritário para vacinação pessoas com doença renal crônica em hemodiálise, filtro importante, pois, geralmente, são pessoas com múltiplas DCNT. Segundo os relatos, os baianos agora planejam a identificação de outras populações com múltiplas DCNT para definir os grupos prioritários na imunização.

Durante a reunião, o Dr. José Francisco Comenalli Marques Junior, vice-presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) destacou Israel por sua eficácia em vacinar e controlar a pandemia e indagou a OPAS se houve em outros países uma articulação em relação a atenção ao câncer durante a pandemia.

O Sr. Rafael Dall Alba, especialista em políticas públicas e implementação de programas, e representante da OPAS/OMS, relatou que há uma crise generalizada na assistência das doenças crônicas no mundo. Embora a atenção ao câncer esteja com comprometimento enorme no Brasil, na América, nenhum país tem a estrutura e a integralidade que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, o que transtorna outros países na organização da atenção ao câncer e doenças crônicas.

Nayara Landim, relações institucionais e governamentais do Movimento TJCC, evidenciou a relevância de identificar as melhores práticas nacionais e internacionais para enfrentar e deter a COVID-19, proteger as populações de maior risco e definir grupos prioritários para a vacinação. Para que os exemplos internacionais sejam aplicáveis ao Brasil, Rafael Dall Alba apontou a necessidade de verificar países com características semelhantes de sistema de saúde, geografia e realidade sócio-cultural, como é o caso da Argentina e do México.

A criação de uma Câmara Técnica, composta pelos proponentes da Carta Aberta, para auxiliar o país construindo um plano de orientação aos estados brasileiros que visa mapear e recomendar as experiências bem-sucedidas no Brasil e no mundo, foi proposto por Nayara Landim do Movimento TJCC.

Outro eixo importante no enfrentamento da COVID-19 é estabelecer um padrão em relação aos cuidados paliativos e de comunicação com os familiares. Para oferecer tratamento adequado para o controle de sintomas do novo coronavírus, medidas de conforto e dignidade aos pacientes com doença avançada, incluindo instruções sobre: sedação; ventilação artificial invasiva para síndrome de desconforto respiratório agudo controle da dor; agitação; delírio e a qualidade no tratamento intensivo. Nesse sentido, a OPAS também reconhece a importância dessas diretrizes, e além de outras atuações, disponibiliza um curso de 10 horas sobre Cuidados Clínicos na Síndrome Respiratória Aguda Grave – 2020 (COVID-19).

Próximos passos e encaminhamentos

Os participantes decidiram enviar a Carta Aberta aos parlamentares envolvidos na formulação de políticas de saúde.

O Sr. Rafael Dall Alba se comprometeu a formalizar, com urgência, a adesão da OPAS à esta aliança que se iniciou com a Carta Aberta, assim como apoiar as articulações deste grupo com o Ministério da Saúde. A partir das discussões, foi identificada a necessidade de apresentar o documento para a Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Nayara Landim, junto ao departamento de Advocacy e Políticas Públicas da Abrale e do Movimento TJCC, encaminhará as próximas etapas desta mobilização.

Merula Steagall, presidente da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) e idealizadora do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), assim como em 2014, vislumbrou uma iniciativa inovadora para melhorar as políticas de Saúde e Oncologia. Agora, idealiza uma proposta transformadora para influenciar as políticas e o enfrentamento da COVID-19 no Brasil, incluindo medidas protetivas às pessoas com câncer e outras doenças crônicas, assim como acelerar a promoção da saúde, a prevenção, o acesso ao tratamento e cuidados paliativos.

Da mesma maneira que a sua inventora, esta aliança não é paciente – conformada com uma situação – mas é propositiva em mobilizar parceiros, conhecimentos necessários e órgãos governamentais para, juntos, encontrarmos as melhores medidas a serem aplicadas com urgência no Brasil.

Participantes da reunião, representando:

  • Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC)
    • Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE)
      • Merula E. A. Steagall, presidente;
      • Fabio Fedozzi, diretor executivo;
      • Tiago Cepas, coordenador de Advocacy e Políticas Públicas;
      • Nayara Landim, relações institucionais e governamentais do Movimento TJCC
  • Conselho Estratégico do TJCC
    • Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) – Dr. Douglas Henrique Crispim
    • Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) – Dr. José Francisco Comenalli Marques Junior
    • Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) – Dr. Alexandre Ferreira de Oliveira
    • Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) Dr. João Bosco Borges
    • Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) – Dra. Marina De Brot Andrade
    • Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (STMO) – Dr. Nelson Hamerschlak
  • Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) – Rafael Dall Alba
  • Fórum Intersetorial para Combate às DCNTs – Mark Barone e Pedro Ripoli
  • Grupo Mulheres do Brasil – Marina Cesar, CEO do Grupo Mulheres do Brasil
  • Rede Alianza – Deise Hajpek
  • Doutores da Alegria e Conselho da Ashoka Brasil – Wellington Nogueira Santos Júnior
  • Representando Instituto Noisinho da Silva, empreendedores socioambientais da Rede Folha e e Fellow Ashoka – Erika Foureaux
  • Representando a ONG Banco de Alimentos e empreendedores socioambientais da Rede Folha – Jorge Toquetti
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