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Janeiro Verde: Mês De Prevenção Contra O Câncer Do Colo Do Útero

Janeiro Verde: Mês de Prevenção contra o Câncer do Colo do Útero

 #PorCuidadosMaisJustos para que as mulheres tenham acesso à vacina contra o HPV, exame Papanicolau e tratamento contra o câncer uterino.

A nova campanha trienal da União Internacional para Controle do Câncer (UICC), instituição criadora do Dia Mundial do Câncer, é um chamado para questionarmos o status quo por cuidados mais justos no tratamento do câncer. Em apoio a essa e a campanha do Janeiro Verde, o Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) retoma as reflexões quanto à prevenção do Câncer do Colo do Útero. O quarto tipo de neoplasia mais incidente no mundo entre as mulheres. 

A situação é grave no Brasil. O Inca – Instituto Nacional do Câncer estima que todos os anos mais de 16 mil mulheres são diagnosticadas com tumores uterinos. Apesar de altamente prevenível, mais de 6 mil vêm a óbito anualmente. Além disso, a região Norte tem a maior taxa de mortalidade do país – 12,58 mortes por 100.000 mulheres – e ainda estamos longe de alcançar as metas nacionais para o controle e redução da doença.

Um câncer evitável

Causado pela infecção persistente por alguns tipos de Papilomavírus Humano (HPV), o principal mecanismo de prevenção é a vacinação. Segura e eficaz contra 98% dos tipos de HPV 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. 

O Ministério da Saúde (MS) indica a vacinação para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Tendo em vista que a imunização do vírus é mais eficaz em crianças e em adolescentes que ainda não iniciaram a vida sexual, embora adultos também possam ser vacinados. 

Por meio do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil (Plano DCNT) de 2021 a 2030, o MS estabeleceu metas para o combate ao câncer de colo do útero. Sendo uma delas, a cobertura de 90% da vacina contra o HPV até 2030. Infelizmente, já estamos um passo atrás de alcançá-la. Em 2020, apenas 55% das meninas na faixa etária preconizada tomaram as duas doses da vacina contra o HPV. Enquanto 36,4% dos meninos de 11 a 14 anos compareceram aos postos para completar o esquema vacinal.

Nós temos um enorme desafio e em todo o mundo que é atingir adolescentes, um público que não frequenta rotineiramente unidades de saúde como as crianças. Os países que mais obtiveram sucesso em programas de vacinação tiveram como estratégia a vacinação em base escolar, não esperando os adolescentes na sala de vacina, mas levando a vacina até onde ele está”. Afirmou o Presidente do Departamento da Sociedade Brasileira de Imunizações, Dr. Renato Kfouri, durante a live do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos.

Cabe ressaltar que a vacinação contra HPV chegou a acontecer em parte das escolas há alguns anos, mas atualmente o programa está concentrado nas unidades básicas de saúde, tendo o calendário vacinal prejudicado pela pandemia do COVID-19.

Exame preventivo

Em relação ao Papanicolau, a previsão é que em 2022, a meta brasileira de aumentar a cobertura do exame em 85% não seja alcançada

O exame é a principal estratégia de detecção precoce de lesões que antecedem o desenvolvimento do câncer do colo do útero. Quanto mais cedo for diagnosticada a doença, a sobrevida em 5 anos varia entre 93 e 100%, e em estágios mais avançados caem para 70 e 72%. Porém a realidade brasileira está mais próxima desse último, cerca de 46% das mulheres recebem o diagnóstico tardio e em estágios avançados para câncer femininos. 

No ano passado, o TJCC participou da Consulta Pública para o desenvolvimento do novo Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (2021-2030). Sugeriu-se a ampliação da faixa etária para a realização do papanicolau de 25 a 69 anos. Tendo em vista que, em 2019, apenas na faixa etária de 30 a 69 anos, notificaram-se cerca de  3 mil pacientes com câncer de colo uterino em tratamento no SUS. Conforme demonstra os Indicadores e Câncer do Colo do Útero, do Observatório de Oncologia. A recomendação vigente do MS é que o exame seja realizado entre 25 a 64 anos de idade. 

Fechando as lacunas do cuidado

Mais do que assegurar as campanhas de vacinação e exames preventivos em todo o país, é fundamental que as estratégias adotadas considerem as especificidades e ineficiências regionais, a fim de ampliar o rastreamento, diagnóstico precoce,  acesso à informação e a tratamentos de qualidade em tempo oportuno. 

Resultados do estudo EVITA de 2018, mostrou que os motivos mais frequentes relatados pelos pacientes para não realizar o Papanicolau foram falta de vontade (46,9%), vergonha ou constrangimento (19,7%) e falta de conhecimento (19,7%). Segundo Andrea Guimarães, membro-fundadora do Grupo EVA, questões culturais, religiosos e fake news também são problemas que circundam a vacinação. 

Essas estratégias de papanicolau e vacina contra HPV, podem mudar a história natural desse tumor, que na maioria das vezes acomete mulheres muito jovens e em fase economicamente ativas. Muitas vezes elas são a cabeça da família e a gente está tirando essa mulher da sua fase ativa de vida”, reforça Guimarães.

 

 

 

Referências 

INCA – Controle do Câncer colo do Útero  – Conceito e Magnitude 

INCA – Controle do Câncer colo do Útero  – Ações de controle –  Prevenção

Ministério da Saúde – Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil 

Sociedade Brasileira de Imunizações – Cobertura de Vacinas no Brasil 

Folha ABV – Câncer mais Comum entre as mulheres pode ser erradicado com exame e vacina 

CNN Brasil – Em 2020, apenas 55% das meninas completaram ciclo vacinal contra o HPV no Brasil

Onda Contra o Câncer 

ABCDABC – Janeiro Verde 

 

 

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