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Impacto Da COVID-19 Na Atenção Oncológica: Desafios E Soluções Na Retomada Do Tratamento Do Câncer

Impacto da COVID-19 na atenção oncológica: desafios e soluções na retomada do tratamento do câncer

Na última quinta-feira (17), aconteceu a Reunião Geral dos Grupos de Trabalho do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), acerca do tema desafios e soluções na retomada do tratamento do câncer. O Movimento contou com a participação do Dr. Gélsio Mendes, oncologista do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que apresentou dados do atual cenário oncológico, a fim de nortear futuras intervenções da sociedade civil e Estado.

Queda em cirurgias oncológicas, rastreamento e diagnóstico

Com a atenção voltada para o atendimento das urgências da pandemia, as fragilidades no tratamento do paciente com câncer foram potencializadas. Em 2019, de 14 mil cirurgias oncológicas mensais, houve déficit de cerca de 20% no segundo semestre de 2020. Em vista dos entraves em proceder com as cirurgias, cresceu a realização de tratamentos combinados e houve um leve aumento nas terapias neoadjuvantes, que antecedem o tratamento principal, seja na remoção do tumor por meio de cirurgias ou radioterapia.

A realocação de recursos e equipes para o enfrentamento da pandemia também impactou na queda do rastreamento de doenças cancerígenas. Os postos de saúde que são direcionados para a realização dos exames de rastreio estão, atualmente, ocupados pela vacinação em massa. Além da preocupação com a prevalência de pessoas não rastreadas ao longo da pandemia, há da mesma forma o alerta em relação à reincidência do câncer nos pacientes em remissão.

Quanto aos demais procedimentos em oncologia, o Dr. Gélsio destacou a queda na oferta de exames citopatológicos, anátomo-patológicos e os de endoscopia digestiva, principal modalidade de detecção de tumores do trato digestivo. “Se entendermos que já tinha uma suboferta em endoscopia digestiva no país, o que podemos prever é que temos um acumulado de pacientes que ainda não fizeram diagnóstico de câncer colorretal e gástrico ou estão sendo diagnosticados já em uma fase mais avançada”, comentou Gélsio.

Aumento do tabagismo e obesidade

Além do represamento no diagnóstico de neoplasias malignas, observa-se  a prevalência de fatores de risco para o câncer e demais doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Um estudo apresentado pelo Dr. Gélsio apontou que de 12% dos fumantes brasileiros entrevistados, 34% deles reportaram ter aumentado o consumo de cigarros no decorrer da pandemia. Tal comportamento, corrobora com a maior incidência na mortalidade por doenças associadas ao fumo, além do  acréscimo de 10% na arrecadação do IPI do tabaco, durante os anos de 2019 e 2021.

Em relação à obesidade, a situação não é diferente. Com a redução da prática de atividade física ocasionada pelas medidas de isolamento social, aumento da pobreza, ansiedade e o consumo de alimentos não saudáveis (ultraprocessados), houve ganho de peso entre a população. Marília Albiero, representante da ACT Promoção da Saúde, do Grupo de Trabalho de Promoção da Saúde, também relatou um aumento expressivo na ingestão de álcool, assim como indivíduos em insegurança alimentar, ambos fatores que podem estar associados à  incidência do câncer. “A comida saudável está absurdamente cara, e as pessoas passam a conter a fome com ultraprocessados e outros alimentos com excesso de sal e gordura que estão cada vez mais baratos. Mas nós temos atuado muito forte para barrar o acesso pelo preço”.

Além da atuação em políticas públicas pela reforma tributária, também foi ressaltada a importância de se reforçar as campanhas contra obesidade e tabagismo.

Esse ano não tivemos campanhas que são geralmente veiculadas no carnaval sobre sexo seguro, uso de preventivos. Tudo isso foi de alguma forma ofuscado pela questão da pandemia. No nosso recorte de oncologia, imagino que reforçar essas campanhas contra a obesidade, hipertensão e ir para a imprensa e para a mídia para reforçar um tema que é muito importante”, comentou o Dr. Gélsio

Retomada dos tratamentos do câncer

Merula Steagall, presidente da Abrale e idealizadora do Movimento TJCC, enfatizou que as campanhas de rastreio são limitadas pela falta de estrutura da atenção básica para atender a sociedade convocada pelas mobilizações. Esse entrave nos fluxos também foi ressaltado por Rita Valle, presidente na ABCC – Associação Bragantina De Combate ao Câncer e do Grupo de Trabalho de Acesso e Tratamento. Para ela, embora haja um direcionamento do Ministério da Saúde e dos Estados, a gestão e a disponibilidade de recursos não são os mesmos em toda a rede municipal, bem como as demandas sociais locais.

Dr. Gélsio, afirmou que é fundamental a articulação com os Secretários Municipais de Saúde e o CONASEMS – Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde.  Além de aproximar a gestão municipal e estadual do tema da oncologia, é importante ouvir as dificuldades enfrentadas por eles com as demandas, que normalmente esbarram na questão do financiamento.

Dr. José Claudio da Rocha,  representante da A.C. Camargo Cancer Center, do Grupo de Rastreamento e Diagnóstico declarou ter sentido falta de um rastreio organizado durante o período. Ele expôs a necessidade do fortalecimento da política de saúde da família que está fragilizada e do maior reconhecimento dos profissionais da saúde que são mal remunerados. A falta de prestígio e incentivo, fazem com que os profissionais vejam o emprego como transitório.

Doutor Lucas dos Santos, representante da Beneficência Portuguesa de São Paulo, salientou que a pandemia teve seus impactos na atenção oncológica, mas é importante lembrar que a oferta já era inadequada e insatisfatória, com exceção de alguns centros de tratamento. Os Grupos esperam que o INCA emita uma diretriz para retomada dos tratamentos. Em resposta, o Dr. Gélsio comentou que as recomendações feitas pelo Instituto ao longo da pandemia estão alinhadas com as diretrizes do Ministério da Saúde.

Demais assuntos discutidos

Os Grupos de Trabalho também discutiram o Projeto de Lei Nº 6330/2019 que originou a campanha “Sim para a Quimio Oral”. Apresentado durante a reunião por Ana Drummond, representante do Instituto Vencer o Câncer (IVOC), o PL terá o requerimento de urgência votado pela Câmara dos Deputados e necessita da sensibilidade da sociedade civil e dos parlamentares para a sua aprovação.

Nina Melo, coordenadora do Observatório de Oncologia, divulgou o 6º Fórum  Big Data em Oncologia, que acontecerá online, nos dias 13 e 14 de julho, das 18h às 20h. Este ano, o tema será “O Câncer não escolhe sexo” para profundar em dados abertos referente às neoplasias masculinas e femininas. Confira a programação e se inscreva gratuitamente: https://observatoriodeoncologia.com.br/bigdata/ 

Fábio Fedozzi, diretor geral da Abrale, ressaltou que o 8° Congresso Todos Juntos Contra o Câncer será realizado de 20 a 24 de Setembro, novamente em formato digital, porém com mais inovação e qualidade no conteúdo dos painéis, estandes e o network entre os participantes e palestrantes. Em breve, abriremos as inscrições no site: www.congresso.tjcc.com.br/

 

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