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Pacientes Em Tratamento Contra O Câncer Podem Viajar?

Pacientes em tratamento contra o câncer podem viajar?

Desde que aprovado equipe médica, não há contraindicações 

Por Natália Mancini

Realizar um tratamento contra o câncer não é, necessariamente, um impedimento para viajar. Entretanto, o paciente oncológico precisa tomar alguns cuidados enquanto está planejando a viagem e, claro, durante o passeio. Antes de marcar a data ou local, é essencial conversar com o oncologista para saber se a está liberado!

A primeira coisa que o paciente deve considerar é a sua vontade, seu gosto e se viajar lhe fará bem.

“Viajar é uma decisão do paciente. Ele deve ir se isso fizer bem, se for um hobby, algo que realmente goste”, considera Flávia Sayegh, coordenadora do Comitê de Psicologia da Abrale.

Tendo isso em mente, o próximo passo é conversar com o oncologista para saber se é seguro realizar a viagem. Depois, é preciso definir o tempo de duração e identificar qual o melhor momento para esse passeio acontecer.

Por exemplo, no caso de pacientes que estão realizando o tratamento contra o câncer que possa causar imunossupressão, viajar não é algo proibido. Porém, a orientação é para que eles não o façam.

“Esse passeio tem que ser infinitamente mais cuidadoso. Além de que deve ser realizado estritamente para lugares que tenham uma estrutura médica adequada”, explica o Dr. Rafael Kaliks, oncologista e coordenador do Comitê de Políticas Públicas da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Por outro lado, o oncologista conta que pacientes submetidos à  hormonioterapia ou terapia alvo podem viajar sem grandes restrições. Desde que sejam tomados alguns cuidados que variam dependendo do tipo de tratamento.

Como planejar uma viagem durante o tratamento contra o câncer?

   O Dr. Kaliks afirma que o principal cuidado é em relação ao momento que a viagem poderá acontecer. É preciso planejá-la “de maneira que não ocorra atrasos nas datas estabelecidas para o seguimento desse tratamento”.

Ou seja, é preciso analisar as datas previstas para os próximos ciclos da quimio ou radioterapia, por exemplo. Assim, é possível marcar a viagem de forma que não precise alterar a data da sessão.

Além disso, é necessário considerar questões como a baixa na imunidade que o tratamento pode causar. Então, por exemplo, se a terapia causa uma baixa na imunidade nas duas semanas seguintes a aplicação, o recomendado é viajar após esse período.

O ideal é que o paciente compre a passagem aérea com data em aberto. Apesar de serem um pouco mais caras, elas permitem que a viagem seja adiada ou cancelada com mais facilidade. O mesmo vale para viagens de trens e cruzeiros.

“O paciente tem que ter consciência, quando estiver comprando uma passagem para daqui a alguns meses, que ele pode ter intercorrências nesse intervalo”, o oncologista aconselha.

Sabendo disso, o paciente deve pensar em qual tipo de local ele se sentirá mais confortável.

“Ele tem que ir para lugares que façam sentido para ele e com pessoas que sejam importantes, de seu ciclo de vida. Então, se ele gosta de praia, é melhor ir ver o mar”, diz a psicóloga Flávia.

É preciso se preparar também em relação às medicações que devem ser levadas para eventuais efeitos colaterais da quimioterapia. Como remédios para náuseas, por exemplo. Eles devem ser levados na bagagem de mão e, de preferência, acompanhados da receita médica.

Outro medicamento que é interessante levar são os antibióticos, pois nem sempre é fácil encontrá-los.

“Se, eventualmente, o paciente tiver algum sinal de infecção, ele entra em contato com seu especialista. Dessa forma, podemos indicar o uso do antibiótico que foi levado”, o Dr. Kaliks orienta.

Melhores lugares para viajar para quem está realizando o tratamento contra o câncer

Não existe um tipo de lugar que é o mais indicado. É preciso considerar as limitações daquele paciente, além do tipo de tratamento que está sendo realizado.

Porém, de acordo com o Dr. Kaliks, em geral, não são recomendadas grandes aventuras, principalmente para pacientes submetidos à quimioterapia. Orienta-se também que o local tenha fácil acesso à internet e ao contato telefônico, caso seja preciso falar com o médico.

Ele aconselha que o paciente oncológico busque viagens que permitam momentos de descanso durante o dia. Então, por exemplo, passeios que visitem várias cidades em poucos dias podem não ser os mais adequados. Além disso, durante o tratamento contra o câncer, é melhor evitar viagens muito distantes, como outros países.

“Já para pacientes que estão em imunoterapia, ou terapias menos imunossupressoras, acredito que não haja nenhum problema em relação ao tipo de viagem que eles vão fazer”, diz o médico.

A psicóloga Flávia reforça que o melhor lugar para o paciente oncológico viajar é aquele que lhe faça bem. Isso acontece porque o momento pode promover uma autorreflexão e um encontro com si mesmo.

“Acredito que o adoecimento pelo câncer e o tratamento requerem um ajuste da vida. Então, temos que buscar essas auto-reflexões possíveis dentro de cada realidade. As viagens podem promover essa reconexão com a vida”, ela diz.

Quem está fazendo quimioterapia pode ir à praia?

Não é proibido, porém não é aconselhado.

Como pacientes submetidos à quimioterapia apresentam uma grande sensibilidade na pele, podem sofrer queimaduras significativas e outras reações graves.

Quem tem câncer pode viajar de avião?

A princípio, não há nenhuma contraindicação, entretanto é preciso conversar com o oncologista para confirmar se no seu caso está liberado.

Veja algumas dicas para tornar a viagem mais confortável:

  • Levantar para caminhar, se o caminho for longo
  • Caso a viagem dure mais de quatro horas, usar meia elástica
  • Evitar alimentos que possam causar desconforto intestinal, como comidas gordurosas
  • Caso o paciente não tenha risco de sangramento, conversar com o oncologista sobre o uso de medicações para evitar trombose

Os únicos pacientes que apresentam restrição quanto a viajar de avião são aqueles que realizaram procedimento cirúrgico contra o câncer.

“Logo depois de cirurgias abdominais e torácicas há uma limitação para pegar voos. Isso é estabelecido pelos cirurgiões”, o Dr. Kaliks alerta.

 

Ressaltamos que durante a pandemia da COVID-19 não é aconselhável que o paciente oncológico viaje devido, principalmente, às aglomerações. As orientações e recomendações aqui apresentadas consideram viagens após pandemia.

 

Fonte: Revista Abrale

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