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Diga Sim Aos Estudos Clínicos

Diga sim aos estudos clínicos

Além de ter influência na economia do país, um estudo clínico pode ser muito vantajoso para o paciente que precisa de um tratamento fora do padrão

Por Natália Mancini

A chegada de um novo medicamento é um momento de alegria para muitos pacientes. Entretanto, o que poucos lembram é que para esse tratamento ser aprovado, ele teve que passar por vários testes. Inclusive pelo estudo clínico com seres humanos saudáveis e com quem possui a doença respectiva àquela terapia.

As pessoas saudáveis, normalmente, são chamadas para os estudos de Fase 1, na qual é analisada a segurança do medicamento e como ele age no organismo. É testada também qual a melhor forma de uso, como via oral, intravenosa, etc

Os estudos clínicos, também chamados de pesquisas clínicas, são importantes por várias razões. Uma delas é que, ao realizar um desses estudos, o país recebe recursos financeiros que ajudam no crescimento da economia local. Isso acontece porque são criados empregos, já que é necessária uma equipe multidisciplinar completa e os serviços são ampliados.

Outra razão é o avanço que esses estudos podem trazer para a Medicina. Dr. Nelson Hamerschlak, coordenador de Hematologia e Transplante de Medula do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que tais pesquisas podem proporcionar a um paciente que está sem opção de terapia adequada a possibilidade de ser tratado com drogas avançadas.

“Os estudos clínicos oferecerem alternativas ao tratamento em situações nas quais os medicamentos convencionais disponíveis não sejam tão efetivos”.

Ser voluntária em um estudo clínico

Janaína Aparecida, 34 anos, paciente de linfoma de Hodgkin, conta que decidiu participar de um estudo clínico justamente porque seu tratamento não estava apresentando o efeito desejado. Ela já tinha realizado um transplante de medula óssea (TMO) autólogo, mas, mesmo assim, a doença ainda estava ativa.

Uma amiga da Janaína, assim como ela, tinha feito o TMO e também não conseguiu entrar em remissão. Ao se consultar com a médica que atendia as duas pacientes, a especialista recomendou que ela tomasse o Brentuximabe. Em seguida, ela pesquisou um segundo médico e foi ele que convidou a amiga para participar da pesquisa.

“Minha amiga, então, falou comigo e eu fiquei sabendo sobre o estudo e fui atrás. Eles estavam testando a eficácia do Brentuximab e do Pembrolizumab”, Janaína relata.

Quais são os efeitos colaterais do estudo clínico?

Um estudo clínico raramente é prejudicial ao paciente, ressalta o Dr. Hamerschlak. “Caso a pessoa apresente algum efeito colateral, os medicamentos têm sua dose diminuída ou são suspensos”. Essa última acontece caso o efeito adverso seja muito grave e possa trazer algum malefício para o voluntário.

E por falar em voluntários para estudos clínicos, esse é um ponto muito importante de ser esclarecido. Essas pessoas têm total autonomia para tomar decisões que acharem melhor. Por exemplo, é possível desistir do ensaio em qualquer momento!

“A segurança do paciente e o seguimento adequado do protocolo de pesquisa em todas as etapas são as principais preocupações em relação ao paciente dentro de um estudo”, diz o hematologista.

Como funciona a rotina em um estudo clínico

Em comparação a um paciente que está realizando o tratamento padrão, o paciente voluntário tem uma rotina mais rigorosa.

Essa pessoa precisa seguir todos os passos adequadamente, com muito cuidado e atenção. Provavelmente ela terá que ir mais vezes ao médico e realizar mais exames, para que todas as respostas possam ser monitoradas.

“O participante vai receber, gratuitamente, todos os exames e avaliações necessários para o cumprimento do protocolo com segurança”, afirma Dr. Hamerschlak. A todo tempo o indivíduo tem à sua disposição os pesquisadores e coordenadores de pesquisa para lhe ajudar.

Janaína conta que participou do estudo por quase um ano e durante esse tempo teve toda a assistência da equipe. Além de não ter precisado pagar por nenhum serviço, como exames.

“ Eu ia para o hospital a cada 21 dias para tomar a medicação e fazer alguns testes. Mas no geral, minha rotina não mudou muito. Durante esse período, a qualidade de vida que eu ganhei fez valer a pena me voluntariar”, finaliza Janaína.

 

Fonte: Revista Abrale Online

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