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Crise Na Saúde: Hospitais De Oncologia Estão Com Quatro Meses De Repasses Do Governo Atrasados

Crise na Saúde: hospitais de oncologia estão com quatro meses de repasses do governo atrasados

Em 2018, a fim de ampliar o atendimento a pacientes com câncer, o governo do Rio assinou convênio com 11 hospitais de oncologia. Assim, unidades privadas passariam a atender também clientes do SUS, mediante repasses de acordo com realização de procedimentos, num valor até R$ 537 mil mensais. Entretanto, hoje as unidades alegam que estão há 4 meses sem receber os repasses, numa dívida estimada em cerca de R$ 5 milhões.

A maioria das unidades fica fora da capital, como Vassouras, Volta Redonda, Cabo Frio e Petrópolis. Edmar Lopes, diretor do Hospital Regional Darcy Vargas, de Rio Bonito, explica que o convênio funcionou bem em 2018, mas no ano passado os problemas de repasse começaram.

— Nesse ano está pior ainda. Eu cheguei a ficar atrasado desde dezembro, mas há duas semanas pagaram uma parte, e agora o atraso é de quatro meses — diz Lopes.

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Tradicionalmente, os convênios com redes privadas de oncologia eram firmados com o Ministério da Saúde, e esse repasse não atrasa, dizem os donos de unidades. Mas o governo estadual iniciou modelo semelhante. Os pagamentos são feitos, por regra definida, dois meses após a prestação de contas. Ou seja, o que o hospital realizou em agosto será pago em outubro pelo Ministério da Saúde ou governo do estado. Por isso, os repasses de junho ainda não estão atrasados, então a dívida se refere a fevereiro, março, abril e maio.

Cirurgias reduzidas

No caso do Darcy Vargas, a dívida é de R$ 1,5 milhão. As outras unidades têm repasses menores a receber, por realizarem menos procedimentos. O Darcy, diz Lopes, é o que fez mais cirurgias no ano passado — 705. Entretanto, com a pandemia, os atendimentos se reduziram bastante. A diminuição de pacientes, em Rio Bonito, foi de 90%.

— A oncologia parou no estado. Eu fazia 90 cirurgias por mês, agora estou fazendo 45. Atendi 23 casos novos mês passado, enquanto a média era 200. Com pandemia ninguém fez diagnóstico, biópsia, mamografia. Por isso, a pandemia é uma grande desculpa para incompetência do governo. Claro que é relevante para redução de nossas receitas, mas não é só isso. A gestão é temerária — afirma Lopes, que afirma ter conseguido manter os salários em dia.

Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que “está sendo feito um levantamento e que os contratos estão sendo auditados para averiguar qualquer possível pendência que possa haver”.

 

Fonte: O Globo RIO 

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