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Após Vários Anos De Queda No índice De Rastreamento Mamográfico, Acesso Ao Exame Pode Ter Ficado Ainda Mais Difícil Na Pandemia

Após vários anos de queda no índice de rastreamento mamográfico, acesso ao exame pode ter ficado ainda mais difícil na pandemia

Em pleno Outubro Rosa, um movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, um dado preocupa: o rastreamento mamográfico das mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) teve redução em 2019 e, em 2020, com o novo coronavírus, o cenário pode piorar.

O estudo realizado por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, mostra que o percentual de cobertura mamográfica em 2019 foi 21,9% e menor do que no ano anterior, quando ficou em 22,3%, além de bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O percentual de mamografias entre a faixa etária de 50 a 69 anos, cai a cada ano desde 2013, quando o levantamento começou.

Neste ano, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) quer reforçar que o cuidado com a saúde feminina deve ser olhado com atenção, principalmente neste momento em que o rastreamento e o tratamento foram prejudicados e ainda estão sendo retomados por conta da pandemia.

A agilidade nos exames e diagnóstico fez diferença no caso da funcionária pública Marisa Moreira. O diagnóstico para câncer no útero, trompa e ovários veio no começo do ano passado. A funcionária pública de 63 anos conta que faz exames com frequência e que descobriu a doença depois de sentir dores.

“De uma hora para outra eu senti dores muito fortes na barriga. A barriga inchou muito e eu fui ao médico. Eu cheguei ao médico e ele pediu todos os exames que foram feitos em dois dias e, infelizmente, foi diagnosticado que eu estava com câncer. E disseram que eu tinha que ser operada imediatamente.”

Marisa passou por algumas sessões de quimioterapia, mas como o diagnóstico foi precoce conseguiu diminuir o tempo de tratamento. “Parece que passou um trator e moeu todos os nossos ossos e depois de 5, 10, 15 dias vai voltando no lugar. É um tratamento muito dolorido mesmo. E se eu não tivesse feito os exames de prevenção eu teria sofrido muito mais porque eu teria que fazer radioterapia também”, conta Marisa.

De acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, da regional de São Paulo, Eduardo Pessoa, quanto antes a paciente descobrir a doença, melhor. Isso pode reduzir em 40% as chances de uma paciente morrer de câncer. Por isso a importância de fazer o exame da mamografia todos os anos. Além de ter uma boa qualidade de vida.

“Quando a gente fala em rastreamento mamográfico do câncer de mama nós temos que ter uma estrutura. Nós temos que ter uma regularidade dos exames, nós temos que ter a capacidade de checar esses exames que estão alterados. Então, nós precisamos dessa estrutura para que o rastreamento possa reduzir a mortalidade”, avalia Pessoa.

A recomendação do Ministério da Saúde é que a cobertura de exames de mamografia seja de pelo menos 70%. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia no ano passado a taxa foi de 21,9%. Isso significa um quarto do que era necessário no Brasil em 2019.

O vice-presidente da SBM reconhece que o sistema de saúde precisa melhorar. “Muitas pacientes levam meses para conseguir agendar uma consulta, fazer a investigação. Temos que organizar o sistema no País onde seja possível. Onde uma vez constatada a alteração consiga se confirmar pela biopsia.”

A executiva de vendas Ângela Aparecida Luciano do Nascimento tem 37 anos e está no período de acompanhamento de um câncer. Ela descobriu a doença em outubro do ano passado e conseguiu fazer o tratamento bem rápido. “Eu fiz oito quimioterapias e em abril eu encerrei as quimios e operei em maio. E comecei as rádios em agosto e fiz 25. E agora estou em hormonioterapia que vou tomar por 5 anos.”

Sem histórico na família, o diagnóstico foi um susto, mas ela conseguiu encarar e vencer o desafio. Hoje está curada e com um outro olhar sobre a vida. “Eu tenho muitas mulheres fortes na família e digo sempre para que elas tenham limite para sobrecarga e correria e cuidem-se, isso pode ser um divisor de águas. Se eu não tivesse esse momento de olhar para mim talvez não tivesse alcançado o êxito no tratamento.”

O Diário TV pediu e aguarda uma posição do Ministério da Saúde sobre os números de demora e queda de exames.

Cuidados com o corpo e a mente

Além de marcar o mês de conscientização do cuidado e de prevenção ao câncer de mama, o Outubro Rosa também vem para reforçar a importância da saúde mental das pacientes.

Segundo dados da Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), uma em quatro mulheres que recebem diagnóstico de câncer de mama acabam sendo mais vulneráveis a desenvolver um quadro de depressão.

O psiquiatra Carlos Eduardo Rosa integra a comissão e observa que o diagnóstico tardio também prejudica a saúde mental das pacientes. “Chegam diagnosticadas em um estágio mais avançado. Diagnóstico desencadeia uma reação com sintomas de ansiedade e depressão, porque é algo que ameaça a continuidade da vida. Além das implicações que isso tem na dinâmica social, familiar e do trabalho dessa paciente.”

O psiquiatra reforça que é muito importante o tratamento psiquiátrico durante o tratamento do câncer e que isso pode trazer uma série de benefícios. “O ideal seria o psiquiatra estar integrado na equipe oncológica. Transtornos depressivos no câncer de mama chegam a 60% ao passo que diagnosticamos apenas 5%. O grande impacto do tratamento de questões relacionadas à psiquiatria clínica é que é fundamental. Isso garante a adesão da paciente ao tratamento, garante que ela passe por esse período com um pouco mais de conforto e melhora o desfecho e evolução.”

Rosa avalia que outra contribuição da psiquiatria na oncologia é em relação à medicação que pode aliviar sintomas não só da mente, mas também dos efeitos que o tratamento oncológico. “ As medicações psiquiátricas são úteis em sintomas como insônia, vômito provocado pela quimioterapia, papel de medicações na fadiga e síndromes cognitivas. O psiquiatra pode otimizar o tratamento oncológico”, diz.

Fonte: G1 

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