skip to Main Content
Vamos Falar Sobre Retinoblastoma?

Vamos falar sobre retinoblastoma?

Tipo de câncer nos olhos que afeta, especialmente, crianças de até cinco anos, exige atenção dos pais e responsáveis para os seus sinais e sintomas

Por Tatiane Mota

Em janeiro, os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin publicaram um vídeo nas redes sociais para falar sobre o diagnóstico de retinoblastoma em sua filha, e também trazer um alerta para toda população a respeito.

Tipo raro de tumor dos olhos, o retinoblastoma acomete, na maior parte dos casos, crianças de até cinco anos de idade, segundo o Dr. Abraão Dornellas, oncologista no Hospital Israelita Albert Einstein e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

“O retinoblastoma é um tumor que surge nas células da retina, uma estrutura que fica localizada na região posterior do olho. Ele acontece, aproximadamente, em 60% dos casos de forma esporádica e os outros 40% relacionados a uma mutação. Os casos esporádicos acontecem porque uma célula da retina, durante a duplicação, perde o controle e desenvolve o tumor. Já os casos hereditários estão relacionados à perda da expressão de um gene supressor de tumor, chamado de gene RB1”, explicou o médico.

Retinoblastoma e seus tipos

Esse câncer ocular pode se dividir em três tipos:

  • Retinoblastoma unilateral, que atinge somente um dos olhos e é a forma mais comum da doença.
  • Retinoblastoma bilateral, que é quando acomete os dois olhos e é quase sempre hereditário.
  • Retinoblastoma trilateral, uma forma ainda mais rara, que está associado à presença de células nervosas primitivas do cérebro. Ele só acontece naquelas crianças que também têm acometimento dos dois olhos.

Embora este seja um tipo de câncer que é primordialmente localizado no olho, ele pode metastatizar, ou seja, ir para outros locais do corpo. E isso é muito importante de ser dito, porque quando ele está localizado, o prognóstico pode ser bom. Mas quando ele é metastático, o prognóstico é extremamente reservado”, salienta o oncologista.

Como identificar o retinoblastoma – Conheça os sinais e sintomas

O retinoblastoma é um tipo de câncer que comumente faz o paciente apresentar sintomas. O principal sinal é tecnicamente chamado de leucocoria, ou seja, quando uma luz é jogada pelo olho (pupila), e o reflexo do olho acaba ficando branco, também conhecido popularmente como olho de gato.

“Isso pode ser visto também, por exemplo, em uma fotografia. E caso seja identificado, essa criança precisa ser imediatamente referenciada para uma avaliação médica. Outros sintomas que podem acontecer são problemas na movimentação do olho, redução da visão, dor ocular, aumento do volume do globo ocular ou olho pouco mais lentificado. Mas é preciso lembrar que estamos falando aqui de crianças pequenas, na maioria dos casos, que nem sempre relatam os sintomas. Por isso reforço a importância do teste do olhinho. Assim que a criança nasce, ela já precisa fazer esse teste, o qual deve ser repetido com frequência até os cinco anos. Ele visa buscar o diagnóstico precoce do retinoblastoma e é disponibilizado pelo SUS”, reforça o Dr. Abraão.

A perda da visão, uma das principais preocupações, pode acontecer. Mas dependerá do tipo e do tamanho do tumor. Mas com o diagnóstico precoce é possível preservar a visão. Ele é feito partir dos achados clínicos, como estes aqui citados, e também com exames de ultrassom, tomografia e ressonância do olho.

O retinoblastoma tem tratamento!

O tratamento irá depender do tipo de tumor: se é unilateral ou se é bilateral. Tumores localizados devem ser tratados em conjunto com o oftalmologista pediátrico especialista e um oncologista pediátrico, e podem ser utilizados métodos especiais como laserterapia, crioterapia e radioterapia.

“Nos casos mais avançados, pode ser necessária a retirada do olho, que chamamos tecnicamente de enucleação, e até quimio e radioterapia. Esse é um tumor que responde à quimioterapia e existem sistemas de quimioterapia sistêmica que às vezes são usados nos tumores bilaterais para tentar preservar a visão dos dois olhos ou de pelo menos um dos dois olhos. Quando falamos de tumores iniciais e/ou tumores localizados, as taxas de cura são bem altas e chegam a 90%. Quando falamos de doença avançada, em especial doença metastática, o prognóstico se torna ruim”.

O Dr. Abraão finaliza fazendo um alerta sobre a importância do acompanhamento médico a longo prazo.

As crianças tratadas do retinoblastoma precisam ser acompanhadas de perto pela equipe especializada, porque o tratamento com quimioterapia pode levar ao surgimento de neoplasias secundárias ao longo da vida, a partir de 20 anos após o tratamento”.

Back To Top