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Reimaginando o câncer de mama metastático: da ciência ao acesso
Importância dos pacientes receberem informação completa e adequada foi tema do debate
O painel “Reimaginando o câncer de mama metastático: da ciência ao acesso” foi moderado pela jornalista Joyce Ribeiro e contou com a participação da Dra. Laura Testa, da paciente com câncer de mama metastático, Silvia Ferrite, e da fundadora e presidente do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz.
Joyce iniciou o painel trazendo alguns dados importantes sobre o diagnóstico de câncer de mama no Brasil e a complexidade que é ser uma paciente.
“Somos mais de 100 milhões de mulheres no Brasil, e o câncer de mama é um dos mais prevalentes. Em 2020, mais de 17 mil mulheres morreram por causa do câncer de mama, e 50% dos tumores são diagnosticados em estágios mais avançados. Mas, além de pacientes, somos mulheres, somos trabalhadoras, somos mães; ou seja, desempenhamos diversos papéis, e é muito complexo dar conta de todos eles.”
A jornalista ainda ressaltou a importância da informação completa chegar até as pacientes e passou a palavra para Silvia Ferrite, que contou como os avanços na medicina impactaram em sua jornada.
“Quando descobri o câncer de mama metastático, achei que teria que fazer quimioterapia tradicional pelo resto da vida. Mas, ao chegar no consultório e a médica disse ‘não, esse não será seu tratamento. Tivemos avanços, agora temos terapias-alvo, algo que você vai tomar em casa, e a quimioterapia tradicional só será considerada lá na frente, se necessário. A quimio foi difícil para mim, e imaginar que eu precisaria tomá-la pelo resto da vida foi desafiador.”
A Dra. Laura Testa falou que essa conversa entre o médico e o paciente é fundamental para que a pessoa saiba qual o subtipo do seu câncer e quais são as opções de tratamento.
“A importância de saber o tipo é muito relevante para nós, que precisamos trazer as opções de tratamento específicas para esse tipo, mas também é importante que a paciente tenha esse conhecimento. No momento do diagnóstico, há tanta informação que raramente a paciente se lembra do tipo e subtipo. A informação precisa estar disponível a todo momento, e estamos aqui para esclarecer todas as dúvidas que surgirem.”
Luciana Holtz apontou que, além dessa informação ser fundamental para entender qual o melhor tratamento, também é crucial para que a decisão possa ser tomada de forma compartilhada.
“Temos três tipos de informação: a informação paternalista, em que o paciente diz ‘doutor, decida por mim’, o que é mais comum no início, quando o paciente está tão sobrecarregado que não consegue tomar decisões; a informação informada, em que o paciente começa a fazer perguntas, mas a decisão final fica com o médico, e o paciente apenas consente; e a informação compartilhada, em que médico e paciente conversam e chegam a uma decisão de comum acordo.”
Silvia, a paciente, também destacou que, para que o paciente possa desempenhar esse papel de protagonismo, é necessário que o médico seja um parceiro ativo. “Apenas fazer perguntas já é um ato de empoderamento, mas se o médico não dá espaço para perguntas, se não presta atenção ao paciente durante a consulta, como o paciente poderá se informar?”
Fonte: Comunicação Movimento TJCC
