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Câncer antes dos 50 anos
Especialistas discutem o aumento da incidência e mortalidade em adultos-jovens
Apesar da estreita relação entre o envelhecimento e o desenvolvimento de câncer, estudos recentes vêm demonstrando o aumento da incidência de câncer na população com menos de 50 anos de idade nas últimas décadas. O surgimento do câncer nas faixas etárias mais jovens está associado ao estilo de vida.
Logo, a avaliação dos indicadores de morbimortalidade por câncer na população com menos de 50 anos de idade possui grande relevância para a saúde pública, haja vista que a evolução de tais indicadores nesta população reflete a exposição destes indivíduos a fatores de risco relacionados ao estilo de vida e que a adoção de hábitos saudáveis ´é uma das principais formas de prevenção de câncer.
Nina Melo, coordenadora de pesquisa do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, apresentou estudo realizado em 2016, pelo Observatório de Oncologia, plataforma de análise de dados abertos, sobre os 19 tipos de câncer com maior prevalência em adultos-jovens.
“A mortalidade para câncer de mama, por exemplo, aumentou quase 3%. Para câncer do colo de útero, o aumento de mortalidade foi 1% e somente em mulheres com menos de 50 anos. No câncer de próstata, o aumento da incidência em homens mais jovens foi de 5%. Temos observado que os casos e mortes por câncer vão aumentar 31% e 21%, respectivamente, até 2030. Especialmente em pessoas com menos de 40 anos. Por isso, é preciso que haja mais políticas públicas focadas nessa população, para a redução de riscos e casos”, comentou Nina.
De acordo com o Dr. Gustavo Fernandes, diretor geral da Oncologia da Rede DASA e representante Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o câncer não é evitado com exames.
“Salvo o câncer do colo de útero, que pode ser evitado com o Papanicoloau e também vacinas contra o HPV. Mas o enfoque é o diagnóstico precoce e nós, como sociedade, precisamos fazer mais programas de prevenção. No Brasil, temos que tomar cuidado em falar sobre políticas de rastreio, por conta das diferenças sociais. O aumento de casos não significa uma grande epidemia, mas são casos dramáticos pelo que esses indivíduos representam”, disse o Dr. Gustavo.
De acordo com o Dr. Paulo Hoff, médico oncologista, presidente da Oncologia D’Or e diretor no Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP), fala sobre câncer em pessoas mais jovens é algo bem complexo.
“Durante muito tempo, o principal fator causador de câncer era o tabagismo. Mas hoje são vários os fatores. Temos vacina para hepatite B, que ajuda a evitar câncer de fígado. Grande parte dos cânceres são causados por vírus, que podem ser evitados com vacinas. Os maus hábitos alimentares também têm influência no aumento de casos. Outro ponto é o rastreamento. Todo rastreio vai levar a uma intervenção, que terá consequências. E quando falamos em uma população mais jovem, é preciso pensar de forma ampla. E também não deveria existir diferenças entre saúde pública e privada no acesso à prevenção do câncer. Porém, é importante entender que, para a população no geral, não é possível ter uma política pública que pegue 100% dos casos, porque haverá os falsos positivos que implicam em muitos impactos”, explicou o médico.
Por falar em políticas públicas, Laura Cury, coordenadora do Projeto de Álcool na ACT Promoção da Saúde, o trabalho feito antitabagismo é um caso de sucesso e deve inspirar outros programas, como obesidade, uso de álcool e falta de atividade física.
“Devemos pensar as estratégias sempre com foco nas políticas públicas, para que toda a sociedade possa ser beneficiada. Os estudos mostram que para o tabaco a tributação é sim fundamental, considerada pela OMS a ação mais custo-efetiva. Na ACT queremos que haja taxação nos produtos que fazem mal à saúde, para que estes recursos possam ser investidos no SUS. Estamos trabalhando nisso”, finalizou.
Fonte: Comunicação Movimento TJCC
