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Imunoterapia Pode Ser Usada Para Reduzir Risco De Recidiva De Câncer

Imunoterapia pode ser usada para reduzir risco de recidiva de câncer

A imunoterapia, tratamento usado contra o câncer que potencializa as defesas do organismo, pode ser usada para prevenir o reaparecimento da doença em pacientes que já passaram por procedimentos como cirurgia e quimioterapia.

Sua utilização como terapia adjuvante, administrada depois do procedimento principal para evitar recidivas, foi aprovada pela FDA (Food and Drug Administration), agência regulatória norte-americana, neste mês para casos de câncer de pulmão.

“Até recentemente esses medicamentos eram aplicados apenas em pessoas que já tinham doença avançada e que não poderiam ser tratadas de forma definitiva”, explica Rogerio Lilenbaum, oncologista brasileiro, diretor no Banner MD Anderson Cancer Center, nos Estados Unidos.

O alcance da imunoterapia foi debatido no 6º Seminário sobre Câncer – O Futuro do Tratamento Oncológico, promovido pela Folha na última segunda-feira (25), com patrocínio do Hospital Sírio-Libanês e do Grupo Pardini.

Para Lilenbaum, usar a abordagem para reduzir a recorrência do câncer é um passo de enorme importância. “A imunoterapia representa um dos maiores avanços da nossa geração no tratamento oncológico”, afirma.

O método começou a ser utilizado em 2011 e, em 2018, rendeu o prêmio Nobel de Medicina a dois pesquisadores: James P. Allison (Estados Unidos) e Tasuku Honju (Japão). Seus estudos aumentaram a efetividade da terapia contra vários tipos de câncer, como melanoma, câncer de pulmão e de rim.

“A imunoterapia é um tratamento indireto, ela atua muito mais no corpo do paciente do que no câncer diretamente”, explica Gustavo Fernandes, que é oncologista e diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês em Brasília.

Segundo o médico, ao fortalecer as defesas do organismo, os imunoterápicos ajudam o corpo a encontrar o tumor e diminui-lo, por isso os medicamentos são geralmente aplicados em combinação com quimio ou radioterapia.

De acordo com os especialistas, os imunoterápicos podem ser utilizados contra uma grande variedade de tumores sólidos, entre eles tumores de cabeça e pescoço, pulmão, rins, melanoma, além das doenças hematológicas, como o linfoma.

Em alguns casos, as aplicações da imunoterapia seguem após o término dos demais procedimentos.

Foi assim durante o tratamento de Suzane Castro, 62. A advogada maranhense trata um câncer de pulmão desde 2017. Ela conta que passou por rodadas de quimioterapia durante seis meses, até que seu tumor deixou de responder ao tratamento.

Após o uso de imunoterápicos, o câncer reduziu de tamanho, o que permitiu que ela passasse por uma cirurgia. Com a doença em remissão há três anos, ela ressalta a importância de divulgar informações sobre a doença, apresentando ao paciente as opções possíveis.

“Quando fui diagnosticada, eu não tinha a menor ideia de como encontrar um tratamento mais pessoal e humanizado”, afirma.

Para Fernandes, oncologista do Sírio-Libanês, além de popularizar a imunoterapia é necessário diminuir seus custos para que cheguem a um maior número de pessoas.

“A ciência está estabelecida, está avançando, existem milhares de estudos clínicos. Precisamos garantir acesso aos remédios”, afirma.

O médico explica que, no Brasil, a abordagem é mais comum na rede privada, porque o SUS (Sistema Único de Saúde) carece de recursos, tanto para aplicação dos medicamentos que existem no exterior quanto para o desenvolvimento de tecnologia nacional.

Ele aponta que investimentos em pesquisa e desenvolvimento de fármacos nacionais podem baratear o custo da imunoterapia: “Precisamos de apoio e temos um sistema imenso para realizar pesquisa nos centros universitários. Temos o SUS precisando desenvolver terapias”.

Em outubro deste ano, o Congresso aprovou projeto que retira R$ 600 milhões de recursos previstos para o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações) e destina para outros setores.

A pasta receberá R$ 89,8 milhões, em vez do valor de crédito aprovado inicialmente, de R$ 690 milhões.

O corte afeta em 99% o orçamento para projetos de pesquisa em ciência e tecnologia, que seria de R$ 655,4 milhões e caiu para R$ 7,2 milhões.

O 6º Seminário sobre Câncer foi mediado pelo jornalista e colunista da Folha Vinicius Torres Freire. A transmissão completa do evento pode ser encontrada no site folha.com/seminariocancer.

 

Fonte: Folha de S. Paulo 

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