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Movimento TJCC participa do Lançamento Nacional do Código Latino-Americano e Caribenho Contra o Câncer

Conheça as 17 recomendações LAC CODE para prevenção do câncer  – ACESSE aqui

O Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) esteve presente no lançamento nacional do Código Latino-Americano e Caribenho Contra o Câncer (LAC Code). O evento organizado pela Amigo-H, Amigos Einstein da Oncologia e Hematologia, aconteceu nesta quarta-feira (24), com a participação de especialistas internacionais e autoridades públicas. A líder do TJCC e CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Dra. Catherine Moura, prestigiou o evento ao lado de parceiros do TJCC. Durante a cerimônia, foram apresentadas 17 recomendações para a prevenção do câncer e as estratégias para disseminar a iniciativa no Brasil.

As estimativas para o cenário do câncer nos próximos anos propõe um desafio para os sistemas de saúde em todo o mundo. Anualmente, mais de 19, 3 milhões de pessoas são diagnosticadas com a doença. Para 2024, espera-se um aumento de 66% na incidência global e 77% na taxa de mortalidade por câncer.  Uma realidade possível de ser alterada, já que 40% dos cânceres são preveníveis. 

O Código Latino-Americano e Caribenho Contra o Câncer (LAC Code) é uma resposta a este cenário. A partir de 17 recomendações, são indicadas diretrizes para redução da incidência nos países da região. Além das medidas de prevenção, inclui, de forma inédita, recomendações de políticas públicas.

A união de esforços será fundamental para concretizar as estratégias de prevenção e educação previstas. Por isso, o Movimento TJCC reforça o convite as organizações da sociedade civil para conhecerem o código e se unirem nesta causa.

Além da representação da Dra. Catherine Moura e Thais Souza, Relações Institucionais do Movimento TJCC, também estiveram presentes no evento: Anna Drummond, Diretora do Instituto Vencer o Câncer (IVOC), e Mark Baroni, Coordenador do Fórum Intersetorial de Combate as DCNTs (FórumDCNTs), parceiros do TJCC.

Sobre o LAC Code

As recomendações são fundamentadas em evidências científicas e foram desenvolvidas por mais de 60 especialistas na temática. O trabalho foi apresentado pela pesquisadora Carolina Spina da IARC. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer que liderou o desenvolvimento do Código em conjunto com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS), também com apoio da Sociedade Latino-Americana e do Caribe de Oncologia Médica (SLACOM) e co-financiamento pelo Amigo-H, pertencente a divisão de Responsabilidade Social da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Spina esclareceu que as recomendações são direcionadas aos sistemas públicos de saúde, a fim de fortalecê-los, aos profissionais de advocacy em saúde para a capacitação dos profissionais em saúde e ao público em geral, incluindo populações de difícil alcance. Além disso,  as recomendações também consideram a realidade social, econômica e cultural das populações. A exemplo da ação número 5, para que a sociedade “Limite o consumo de bebidas em temperaturas muito quentes, como mate, chá ou café […]”. Tendo em vista que o consumo de bebidas acima de 65 graus chega a ser classificado como “provavelmente cancerígeno para humanos”. 

Como será implantado?

A Amigo-H irá coordenar a implantação do LAC Code no Brasil. A entidade será responsável pelo planejamento e gestão das estratégias de disseminação e execução das recomendações; captação de financiamento e gestão do orçamento; tradução de materiais e articulação e execução de projetos e peças de comunicação e educação. Também fazem parte da estrutura de governança: OPAS, IARC e o Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

A nossa missão agora é disseminar esse projeto. A ideia é que sempre trabalhemos alinhados com os nossos parceiros para fazer essa disseminação e a publicação nos sites de materiais elaborados, especialmente o material de e-learning para a capacitação de profissionais na plataforma PAHO virtual campus”, disse Renata Grabert, vice-presidente do Amigo-H

“Precisamos de todo mundo nessa luta”

Para o Diretor do INCA, Roberto Almeida Gil, deve haver uma mudança no enfoque do câncer, que por muitos anos ,esteve voltado ao tratamento da doença já em estado avançado. ‘Isso é insustentável, tem perenidade e não consegue modificar os indicadores.”

Para o representante da OPAS, Diego Alves, é preciso ter um incentivo do ambiente para que o código de fato se instale. O desafio agora está em como fazer chegar a informação às diferentes populações, a exemplo dos povos originários, mas que é importante o LAC Code considerar os determinantes sociais da saúde.

Temos uma crise do modelo energético. A população de Minas Gerais voltou a cozinhar com o fogão a lenha em ambientes fechados, aumentando ainda mais a poluição. O código também consegue transpassar toda essa realidade de uma forma muito específica.”

Fernando Henrique Maia, afirmou que o Ministério da Saúde está comprometido com a implantação do código no Brasil. Além do fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, a ação intersetorial se mostra necessária para o avanço das recomendações e promover a mudança de hábitos de vida. Os  determinantes comerciais da saúde também influem nessa transformação.  “O desafio que foi implementar as políticas regulatórias no país com relação às políticas regulatórias do tabagismo, é o desafio que vamos ter com a indústria alimentar”, disse Maia

O Coordenador da Coordenação-Geral da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (CGCAN) enfatizou algumas ações realizadas pela pasta, como a retomada das campanhas de HPV nas escolas para garantir a meta da OMS, de 90% das meninas vacinadas até os 14 anos. A organização do rastreio para câncer de colo do útero também é uma pauta trabalhada pela CGCAN, assim como para o câncer colorretal. A Coordenação está atuando em conjunto com o INCA e a Coordenação-Geral de Prevenção às Condições Crônicas na Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, na elaboração de diretrizes para a criação de um programa de rastreamento do câncer colorretal.

Em relação ao câncer de mama, o exame de mamografia tem sido recomendado pelo Ministério da Saúde para mulheres entre 50 a 69 anos. Já as recomendações do LAC Code estendem a faixa etária até os 74 anos.

Não temos qualquer restrição de rever as recomendações, consultar a literatura, as evidências científicas e mudar isso. É um compromisso nosso estar sempre atualizando. Mas temos coberturas baixíssimas e não é por falta de equipamento. Temos muitos mamógrafos, produzindo pouco e mulheres fazendo mamografia na faixa etária errada.” afirmou Maia

Guilherme Schettino, Diretor de Responsabilidade Social do Einstein, compartilhou algumas experiências exitosas do Einstein que podem ser aproveitadas para a implementação do LAC Code.  Entre elas, o uso de telemedicina para reduzir a fila de consultas com dermatologistas, uma ação realizada em São Paulo, e a conscientização para os cuidados em saúde com foco na população masculina.

É difícil levar o homem até a Unidade Básica de Saúde. Por meio do programa “Conversa de Boteco”, o agente comunitário ia até o boteco e, ali, aproveitava o momento para sensibilizar os homens sobre a importância de ir até a UBS e seguir as recomendações, incluindo o exame de próstata”, disse Schettino.

Prevenção em foco

Em 2022, TJCC realizou o painel “Prevenção do Câncer: Como promover um estilo de vida saudável?”, durante o 9º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer. Em setembro, o LAC Code estava em processo de desenvolvimento e foi apresentado previamente como uma iniciativa regional inovadora. Confira como foi o debate:

 

Referência

1. International Agency for Research on Cancer [Internet]. Globocan 2020: Estimated Cancer Incidence, Mortality and Prevalence Worldwide in 2020. [acesso em 19 ago. 2021]. Disponível em: https://gco.iarc.fr/today/home

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