Em 2019, o câncer foi a primeira ou a segunda causa de morte antes dos…

Contribuições da telessaúde e telemedicina para a transformação digital e inovação em saúde
Organização: Abrale e Instituto Vencer o Câncer
Na pandemia da COVID-19, as consultas médicas à distância tornaram-se uma realidade no Brasil. E a partir de seu uso com maior frequência, desafios.
Quais cuidados são importantes tomar? Telemedicina é a mesma coisa que uma consulta médica presencial? Essas perguntas começaram a ser feitas pelos pacientes e até mesmo pelos profissionais que atuam na saúde. E muitos destes questionamentos são levantados por conta de falhas na educação de quem cursa Medicina nos dias atuais.
“A COVID-19 obrigou a área da saúde a usar a tecnologia, que não estava preparada para a supervalorização da telemedicina. Mas há uma falha na educação. Precisamos ensinar os novos médicos a trabalhar com a medicina à distância, para não tornar uma banalização. E são pouquíssimos os cursos que abordam esta temática. É importante dizer que o médico não faz ‘vídeo-chamada’ com o paciente, e sim uma consulta diagnóstica/acompanhamento. Por isso é preciso que o médico tenha conhecimento em tecnologia e também em bioética”, comentou o Dr. Chao Lung Wen, presidente da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde.
A telemedicina não é só para assistência. Ela também está ligada à educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões, gestão e promoção de saúde. E ela deve seguir o código de ética da Medicina.
Para Ana Maria Drummond, diretora institucional do Instituto Vencer o Câncer, a comunicação entre paciente e médico é essencial no atendimento à distância.
“Os pacientes devem ser participantes de seu tratamento e devem ter o direito a ter acesso ao atendimento de qualidade”, comentou.
Dr. Abraão Dornellas, oncologista clínico no Hospital Israelita Albert Einstein, também trouxe a importância da educação na formação médica para um melhor uso da telemedicina/telessaúde.
“Enquanto oncologistas, temos uma formação muito formal, distante. E precisamos ser próximos, alguém de confiança para o paciente. Então, no passado, existia uma resistência dos oncologistas à telemedicina. Mas com a pandemia esse tipo de atendimento foi fundamental e aprendemos que a telemedicina aproxima o paciente, e não distancia. Quando converso com um paciente, quando eu o observo, eu estou atendendo. O papel da teleinterconsulta também é muito importante para poder levar informações dos grandes centros de Oncologia aos profissionais que atendem em locais remotos e com pouco acesso”.
Ele também mencionou os desafios da rede pública: “é importante dizer que em alguns centros públicos a telemedicina já é, sim, uma realidade. Porém, o Brasil é um país gigantesco e claro que a depender da região, o acesso à tecnologia ainda não é tão eficiente. E precisamos trabalhar este ponto via políticas públicas”.
O projeto Onco Teleinterconsulta, da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), foi apresentado por João Victor Damasceno Mourão, enfermeiro Assistente no Projeto.
“O projeto visa contribuir para as decisões de condutas clínicas, colaborando, inclusive, na capacitação profissional de oncologistas. Para isso, conta com a parceria de médicos renomados de todo o país. O Onco TeleInterconsulta facilita o diálogo médico-para-médico e, por meio de ferramenta digital, possibilita discussões de casos clínicos com qualidade e agilidade, à distância. É uma área ampla e muito importante, mas que precisamos refletir sobre até onde vai a telessaúde e quando o atendimento presencial será necessário”.
