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Carta de Repúdio sobre a Publicidade de Produtos Nocivos à Saúde em Eventos Esportivos é publicada por GT de Prevenção Primária
Caso você ou sua organização esteja interessada em assinar a carta, preencha o formulário no link a seguir: https://forms.gle/RVvXcMZHt48nowHM7
O Movimento Todos Juntos Contra o Câncer lança hoje uma carta de repúdio sobre a publicidade de produtos nocivos à saúde em eventos esportivos. O posicionamento, construído pelo nosso Grupo de Trabalho de Prevenção Primária, busca conscientizar o público sobre os riscos associados ao consumo de álcool, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, além de pressionar as autoridades públicas e organizadores destes eventos a tomarem medidas pelo fim deste tipo de publicidade.
A carta é aberta para adesão de organizações e pessoas interessadas em assinar e fortalecer o pleito.
Segue íntegra do posicionamento:
Posicionamento sobre a Publicidade de Produtos Nocivos à Saúde em Eventos Esportivos
O Grupo de Trabalho de Prevenção Primária em Câncer, no âmbito do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, manifesta seu posicionamento contrário à promoção, publicidade e patrocínio de produtos nocivos à saúde em eventos esportivos no Brasil, incluindo bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, cujas marcas ampliam sua presença em ambientes associados ao esporte, à saúde e ao bem-estar.
Essa associação contrasta com as evidências científicas e com as recomendações internacionais de saúde pública relacionadas à prevenção do câncer.
O consumo de álcool está associado ao aumento do risco de diversos tipos de câncer, incluindo câncer de cavidade oral, laringe, esôfago, fígado, mama e colorretal¹. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde reconhecem que não existe nível seguro de consumo de álcool para a prevenção do câncer². No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer aponta o álcool como um dos principais fatores de risco evitáveis relacionados ao câncer, com impacto significativo na carga de doenças no país³.
Além do álcool, cresce a preocupação internacional com a presença de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados em ambientes esportivos. O consumo desses produtos está associado ao aumento do risco de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo obesidade, condição reconhecida como fator de risco para pelo menos 13 tipos de câncer, além de associação com maior risco de câncer colorretal.
Apesar disso, a associação entre produtos nocivos à saúde e o esporte permanece amplamente difundida por meio de estratégias de publicidade, marketing e patrocínio, que contribuem para:
- A associação simbólica entre produtos nocivos à saúde, esporte, celebração, desempenho e integração social;
- A naturalização do consumo desses produtos em ambientes relacionados ao lazer, ao entretenimento e ao convívio social;
- A exposição recorrente de crianças e adolescentes a conteúdos publicitários, grupo reconhecidamente mais vulnerável aos impactos dessas estratégias.
Estudos demonstram que a publicidade influencia preferências, atitudes e padrões de consumo, especialmente entre crianças e adolescentes, contribuindo para o consumo mais precoce e frequente desses produtos.
O Brasil já dispõe de marco legal que reconhece bebidas alcoólicas como produtos nocivos à saúde, por meio da Lei nº 9.294/1996, que estabelece restrições à publicidade desses produtos. Entretanto, a legislação exclui, na prática, grande parte das bebidas alcoólicas consumidas no país, especialmente a cerveja, ao restringir sua aplicação às bebidas com teor alcoólico superior a 13 graus Gay-Lussac.
Além disso, persistem importantes lacunas regulatórias relacionadas ao marketing de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, especialmente em ambientes frequentados por crianças e adolescentes. Esse cenário evidencia a necessidade de maior alinhamento entre as políticas regulatórias e os objetivos de promoção da saúde e prevenção do câncer.
A associação entre produtos nocivos à saúde e esporte configura um importante conflito ético, ao promover produtos associados ao aumento do risco de câncer e outras doenças crônicas em ambientes relacionados à saúde, ao bem-estar e à prevenção de doenças.
Diante disso, este Grupo de Trabalho posiciona-se:
- Pela restrição da publicidade e do patrocínio de bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados em eventos esportivos;
- Pela revisão da Lei nº 9.294/1996, com ampliação de seu escopo para todas as bebidas alcoólicas e inclusão de ultraprocessados;
- Pela proteção de crianças e adolescentes da exposição ao marketing de bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados
- Pelo alinhamento das políticas públicas às evidências científicas relacionadas à prevenção do câncer.
A prevenção do câncer exige coerência entre discurso, políticas públicas e práticas institucionais. Eventos esportivos devem promover saúde, e não servir como plataforma para a divulgação de produtos associados ao aumento do risco de câncer e outras doenças crônicas.
Promover saúde significa também proteger crianças, adolescentes e a população em geral da influência de estratégias de marketing que associam produtos nocivos à saúde a valores positivos como desempenho, bem-estar, sucesso e pertencimento social.
São Paulo, 11 de junho de 2026
Assinam a carta até o momento (Última Atualização: 11/06/26):
- Grupo de Trabalho de Prevenção Primária em Câncer (Movimento Todos Juntos Contra o Câncer)
- Laura Cury – Coordenadora do Projeto de Álcool na ACT Promoção da Saúde
- Bianca Manzoli – Nutricionista especialista em Políticas Públicas e Nutrição oncológica
- Melissa Medeiros – Fundadora e Presidente Voluntária da ACBG Brasil
- Patrícia Alves Toco – Profissional de Educação Física e Desenvolvimento Humano, com atuação na promoção da saúde, saúde emocional, autocuidado e qualidade de vida feminina.
- Heloisa Medeiros Quaggio – Coordenadora de Projetos e Desenvolvimento de Programa da Amigos Einstein da Oncologia e Hematologia “amigo_h”
- Associação Brasileira de Câncer do Sangue – Abrale
- Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – FEMAMA
- Instituto Heleninha
- Instituto Projeto CURA
- Oncofake – Observatório de Notícias do Câncer
- Santa Casa de Misericórdia de Passos – SCMP
