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Live do GT de Pesquisa Clínica encerra Outubro Rosa com debate sobre avanços científicos no tratamento do câncer de mama
Na quinta-feira (31/10), o Grupo de Trabalho (GT) de Pesquisa Clínica promoveu a live “Impacto dos Avanços Científicos no Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Mama”. O encontro destacou não só o cenário desafiador da jornada do paciente com câncer no acesso ao tratamento, mas como o próprio paciente pode ter uma participação ativa para transformar o acesso a novas terapias em seu benefício e de outros pacientes.
“A pesquisa clínica traz equidade ao acesso ao tratamento. Em um protocolo clínico, tratamos desde as pessoas mais humildes até as mais ricas da mesma forma”, afirmou Juliana Mauri. Segundo ela, a iniciativa de realizar a live reflete o compromisso do GT em manter o paciente como protagonista nesse processo.
Além de Juliana, o encontro contou com a participação de Fernanda Schwyter, fundadora e presidente do Instituto Cura; Nina Faria, gerente de projetos do Instituto Vencer o Câncer; Sonia Dainesi, conselheira da SBM; Fernando Francisco, executivo da ABRACRO; e a moderação de Nina Melo, coordenadora de pesquisa clínica da ABRALE.
Diagnóstico precoce e novas terapias: pilares de transformação
Durante a transmissão, os especialistas ressaltaram que o diagnóstico precoce e o avanço de tecnologias, como terapias-alvo e imunoterapias, têm impactado positivamente a jornada dos pacientes. Contudo, desafios persistem, como a desigualdade no acesso a estudos clínicos, que ainda beneficia majoritariamente regiões do Sul e Sudeste do Brasil.
“O Brasil possui uma diversidade genética que é valiosa para os estudos clínicos. Porém, um relatório de 2023 da Coordenação de Pesquisa Clínica revelou que 73% dos estudos clínicos aprovados estavam concentrados nessas regiões, excluindo grande parte das populações do Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, destacou Nina Faria. Isso evidencia barreiras estruturais que limitam a participação de pacientes do SUS e reforça as desigualdades no acesso à inovação.
Informação como chave para inclusão
Os palestrantes concordaram que os pacientes que mais necessitam de suporte são também os que têm menos acesso à informação. Ampliar o alcance do conhecimento sobre pesquisas clínicas é crucial para transformar essa realidade.
“Tudo o que usamos no tratamento do câncer – mamografia, ultrassom, BRCA, histoquímica, a touca gelada e os medicamentos – não veio do achismo, mas de pesquisa”, lembrou Fernanda Schwyter.
Superando barreiras no SUS
O acesso ao tratamento no sistema público de saúde foi outro tema central da discussão. Nina Melo enfatizou que as desigualdades se manifestam desde o diagnóstico até a oferta de medicamentos aprovados.
“Além do diagnóstico tardio, o início do tratamento no SUS leva, em média, três vezes mais tempo do que o preconizado por lei. Isso reduz as chances de cura e afeta a qualidade de vida das pacientes. Muitos hospitais do SUS ainda não oferecem terapias inovadoras para o câncer de mama”, alertou.
Construindo uma rede de avanço
Os especialistas Sônia Dainesi e Fernando Francisco também destacaram a necessidade de engajamento de todos os atores envolvidos no desenvolvimento científico, desde pacientes até profissionais de saúde. “Toda a gama de profissionais da saúde precisa entender a relevância da pesquisa clínica, pois o desenvolvimento de novos medicamentos depende do envolvimento deles”, afirmou Fernando Francisco.
