Debate reforçou a importância do trabalho em rede e da participação ativa de todos para…

6º Fórum TJCC Norte e Nordeste discute a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer em sua abertura
Nova lei prevê garantir acesso ao cuidado integral para pacientes oncológicos atendidos no âmbito do SUS
O 6º Fórum Todos Juntos Contra o Câncer Norte e Nordeste iniciou hoje suas discussões sobre a atenção oncológica em ambas as regiões. O evento, realizado pelo Movimento TJCC em parceria com o Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Sergipe (GAAC), ocorre em Aracaju, Sergipe, e traz em sua programação diferentes debates sobre as melhorias necessárias no acesso equitativo ao diagnóstico precoce, tratamento e qualidade de vida aos pacientes oncológicos.
Dra. Catherine Moura, médica sanitarista, CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e líder do Movimento TJCC, trouxe em sua fala inicial dados críticos sobre o câncer.
“De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que houve 20 milhões de novos casos de câncer e 9,7 milhões de mortes em 2022, em todo o mundo. No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 704 mil novos casos para o triênio 2023-2025. Estudos já apontam que em um futuro bem próximo as neoplasias serão a principal causa de morte no país. É importante entendermos que não se faz Saúde sozinho. Todos precisamos assumir as responsabilidades, para que possamos impactar no cenário atual, oferecendo as transformações necessárias nas diferentes instâncias”, pontuou a médica.
Ulla Ribeiro, gerente geral no GACC, comentou sobre os 25 anos de trabalho da instituição em prol das crianças com câncer.
“A palavra que rege nosso trabalho é gratidão. Somos gratos à Abrale, à Merula Steagall, que regou frutos e deixou como legado. Gratidão também a toda equipe, que trabalhou bastante para este Fórum acontecer, e aos pacientes que estão nessa luta. Estamos comemorando os 25 anos do GAAC com este momento muito especial. Tratar de um câncer é bastante árduo e estamos aqui para dar destaque à Oncologia Pediátrica. Queremos tornar o tratamento menos sofrido e ajudar a família a ser um braço na assistência”, disse.
Fred Gomes, gerente de relações institucionais da organização, também frisou a importância deste encontro.
“O momento de discutirmos sobre Saúde não é na Internet, e sim no diálogo presencial, como este aqui do Fórum, com os gestores, com os profissionais que atuam na Oncologia, e com os próprios pacientes”.
Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer
Tema destaque da abertura da sexta edição do Fórum TJCC Norte e Nordeste, a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) foi instituída pela lei 14.758, em 19 de dezembro de 2023, e entrou em vigor no último dia 16 de junho de 2024.
Seus principais objetivos são diminuir a incidência dos diversos tipos de câncer; garantir o acesso adequado ao cuidado integral; contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos usuários diagnosticados com a doença; e reduzir a mortalidade e a incapacidade causadas pelo câncer.
Rogério Carvalho, médico e Senador Federal de Sergipe, pontuou que, no Brasil, as leis passam a ser uma disputa ideológica e que é preciso ter programação para garantir acesso aos serviços.
“Nosso sistema único é fundado já em cima de alguns pontos: cura, reabilitação, proteção, prevenção. Mas para fazer saúde pública precisamos olhar para dois campos da assistência: uma é a clínica e a outra a epidemiologia. Dentro da epidemiologia há vigilância clínica, que tem como instrumento rastreamento, incidência, prevalência, fatores de risco. E para isso precisamos de programação. Sem isso, não temos como fazer saúde pública para todos. É preciso acompanhar as crianças, as mulheres, os homens. E essa programação tem que estabelecer uma agenda de busca ativa. O aumento da mortalidade infantil, que temos atualmente, é falta de programação. A demora para fazer uma ressonância, uma tomografia, é falta de programação. O Estado precisa começar a comprar diagnóstico, tratamento e acompanhamento de paciente, para reduzir o custo”, falou.
O Senador ainda observou que muitos de seus colegas não acreditam no SUS.
“Grande parte dos senadores não acredita no SUS. Quando falam sobre, fazendo parecer que acreditam, é só para ficar bem com a população. Mas na prática, não é bem assim. Precisamos mudar essa lógica. Nós temos, sim, um problema que achamos que é de financiamento, mas o dinheiro já está dado pela constituição. O que precisamos é organizar as coisas, deixar de desviar o dinheiro da saúde. Todos devem ter acesso ao melhor, àquilo que irá salvar suas vidas”, declarou.
Walter Pinheiro Jr., médico e Secretário de Estado da Saúde de Sergipe destacou os serviços de Cuidados Paliativos.
“A Oncologia tem características especiais, incluindo a questão dos Cuidados Paliativos, que me salta a vontade de investir. Quando analisamos a equidade, os recursos humanos especializados, vemos que a região Norte e Nordeste está aquém das demais, mas somamos algumas conquistas na prevenção do HPV, com a vacinação, por exemplo. Também temos desafios no número de médicos, mas a telemedicina tem atendido e com ela estamos avançando nessa linha. A burocracia no âmbito da saúde é uma camisa de força para o gestor de saúde, que quer sempre ter uma resposta rápida. Nós colocamos o paciente no centro de tudo”, comentou.
Dra. Paola Torres, médica onco-hematologista e fundadora do Instituto Roda da Vida, ressaltou a necessidade de garantir um cuidado integral aos pacientes que enfrentam um câncer.
“Tive três tipos de câncer, por último um câncer de mama, além de acompanhar a resiliência de meus pacientes. O cuidado integral é crucial, e tem base científica para ajudar a reduzir os sintomas, melhorar a adesão ao tratamento e o bem-estar. No Norte e Nordeste enfrentamos desafios adicionais no diagnóstico precoce e tratamento. Precisamos garantir que os cuidados sejam para todos, independentemente da região e condição social. O olhar humanizado e a nova Política são caminhos para isso”, finalizou.
Fonte: Comunicação TJCC
