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Terapia genética contra o câncer é sustentável?

O mais novo tratamento para cânceres hematológicos foi destaque de painel do Hospital Israelita Albert Einstein

Uma das terapias celulares mais promissoras é a CAR-T, feita a partir de células T geneticamente modificadas em laboratório para identificar células da leucemia ou linfoma que apresentam um antígeno específico. Trata-se de uma terapia personalizada, pois é obtida das células do próprio paciente, e sua produção comercial não é feita no Brasil. 

Dra. Lucila Kerbauy, médica hematologista, transplantadora de medula óssea e pesquisadora do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou que cada célula CAR-T é feita especificamente para o paciente. E é um tratamento bastante complexo. 

“O custo, no Brasil, é um desafio. Também é um desafio a realização de pesquisa no país, para que a fabricação possa ser feita nacionalmente. No Einstein e Instituto Butantã, por exemplo, pesquisas estão sendo realizadas para que o tratamento possa ser nacional. Mas, precisamos ter mais incentivo”, disse. 

Cristina Vogel, enfermeira coordenadora na internação da Unidade de Hematologia e Terapia Celular do Hospital Albert Einstein, falou sobre a importância da equipe multiprofissional na jornada do paciente que passará pela terapia genética. 

Alguns pontos são parecidos nos cuidados do paciente que realiza o transplante de medula óssea. A quimioterapia do CAR-T tem menos efeitos colaterais, mas apresenta uma novidade: o paciente pode ter complicações depois, quando já está em casa. E por isso precisa estar em alerta, assim como os cuidadores. E nós, profissionais de saúde, também precisamos ficar atentos aos efeitos durante a internação. Quando começamos a entender estes efeitos adversos, percebemos que na equipe precisava de mais gente. Dentre os membros novos está a neurologia, já que a neurotoxidade é um dos principais efeitos após a infusão. Realizar o adequado gerenciamento dos eventos adversos garante os benefícios da terapia ao paciente, e toda a equipe assistencial e multiprofissional para estar preparado para este paciente “novo”, explicou. 

Dra. Catherine Moura, médica sanitarista e CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), falou sobre o acesso às novas terapias e as dificuldades, por conta do alto custo. 

“O paciente quer ter acesso às novas terapias, porque encontra nela a esperança dos bons resultados. E aí começa a complexidade. Na Abrale, buscamos apoio técnico, por meio dos comitês médico e multiprofissional, para produzirmos um material de fácil compreensão. Também participamos de representações no processo de incorporação dos medicamentos e novas terapias. Se fizermos este trabalho bem feito, o paciente vai passar por essa jornada de maneira autônoma, interagindo com a equipe e contribuindo com o tratamento de maneira bastante ativa. É isso que queremos na Abrale”. 

Fonte: Comunicação Movimento TJCC

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